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Governo muda diretoria da Academia da Polícia de SP após caso de delegada ligada ao PCC

A crise provocada pela nomeação de uma delegada supostamente ligada à facção criminosa PCC, mais uma na área da segurança pública na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), provocou a queda a diretora da Academia da Polícia Civil de São Paulo, Márcia Heloísa Mendonça Ruiz. A mudança foi uma decisão do próprio secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves.

A saída da diretora foi publicada no Diário Oficial do último dia 22, uma semana após a operação do Ministério Público , em conjunto com a Corregedoria-Geral, que levou à prisão de Layla Lima Ayub, 36, suspeita de manter vínculo com membro da facção. Ela seria namorada de um criminoso e atuado em favor dele como advogada, dias após ser nomeada policial –o que é considerado irregular.

Layla foi empossada como delegada em dezembro de 2025, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, com a presença do governador Tarcísio de Freitas. Na ocasião, 524 novos delegados foram nomeados. O namorado, que se declarou membro do PCC quando esteve preso no Pará, estava presente na posse. O homem estava em liberdade condicional desde novembro.

A nova diretora, a delegada Fernanda Herbella, assumiu o cargo na última sexta (30). Também passou a ocupar uma das cadeiras do Conselho da Polícia Civil, grupo que decide os rumos da instituição. “Hoje tomei posse como Diretora e Conselheira. Que honra enorme fazer parte do Conselho da Polícia Civil! Dia que nunca esquecerei! Prazer, sou a Diretora da Academia de Polícia Civil!”, disse nas redes sociais.

A reportagem apurou que o governo decidiu fazer a troca após essa crise do PCC, que não foi a única. Em dezembro, dois alunos ficaram feridos após o disparo acidental provocado por um instrutor. Ambos sobreviveram, mas a notícia trouxe irritação entre integrantes governo Tarcísio.

Essa não teria sido, porém, a única razão. Fernanda Herbella é vista como profissional capaz de conseguir dar mais dinamismo à academia. Ela foi investigadora de polícia, a delegada mais jovem a chegar a classe especial e a primeira delegada brasileira a fazer o curso no FBI, segundo seu currículo. É professora da Academia de Polícia há 24 anos e doutora em direito pela PUC/SP.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública disse que “que todas as movimentações e promoções na gestão das forças de segurança de São Paulo seguem critérios estritamente técnicos e visam aprimorar a atuação policial no Estado, com foco no combate ao crime organizado e na proteção das pessoas.”

(Folha de SP)

Cibelle Freitas
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