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Custo Brasil: saiba quais entraves encarecem a vida do brasileiro

Uma campanha da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta os principais vilões presentes na economia brasileira. O chamado Custo Brasil reúne um conjunto de fatores estruturais, burocráticos e econômicos que tornam produzir, investir e empregar mais caro e complexo no país.

Segundo estimativas da CNI, esse peso atinge R$ 1,7 trilhão por ano e consome cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para o vice-presidente da entidade, Leo de Castro, o valor não pode ser encarado como uma estatística distante da realidade da população. “Não adianta falar apenas de macroeconomia, temos que mostrar que esse custo está comendo a competitividade e os empregos dentro da fábrica”, afirma.

Embora pareça um termo técnico, os efeitos são totalmente concretos. Ele pode ser sentido nos preços mais altos no supermercado, na dificuldade de encontrar emprego e no crescimento econômico mais lento.

Um “imposto invisível”

Na avaliação da entidade, o Custo Brasil funciona como um imposto que ninguém vê na etiqueta, mas que está embutido em tudo o que se consome. “Ele é repassado ao consumidor final, encarecendo produtos essenciais e corroendo o poder de compra das famílias”, aponta Castro.

O reflexo também chega ao mercado de trabalho. “A insegurança jurídica e os encargos trabalhistas elevados criam uma barreira à contratação formal. Mais da metade das indústrias empregaria mais se tivéssemos regras parecidas com as de países desenvolvidos”, afirma o vice-presidente da CNI.

Onde estão os maiores custos

Embora atinja toda a economia, a indústria sente o impacto de forma mais intensa. De acordo com levantamento feito pela Nexus/CNI, cerca de 70% dos empresários industriais consideram o sistema tributário o principal entrave.

Em segundo lugar, aparece a mão de obra, citada por 62%, evidenciando tanto o custo dos encargos trabalhistas quanto a escassez de mão de obra qualificada. O acesso ao crédito, com juros elevados e exigências rígidas, completa a lista: cerca de 27% veem o financiamento como fator crítico à expansão.

Para o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, esses números têm reflexo direto na capacidade competitiva do país.

“Gastamos mais de 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações tributárias. A conta de luz pesa mais do que deveria e as estradas ruins encarecem o frete. Isso tudo sai do caixa da empresa e chega ao consumidor”, pontua.

De acordo com Silveira, esse custo atua como um freio de mão puxado. “Ele retira a competitividade do produto nacional frente ao importado e pune o consumidor final, que paga esse valor embutido no preço de tudo, do pão ao medicamento”, reforça.

Reforma tributária

A reforma tributária aprovada pelo Congresso é considerada uma oportunidade histórica, mas a CNI alerta que os efeitos dependerão da regulamentação em curso no PLP nº 68/2024.

A entidade defende a não cumulatividade plena dos tributos e a devolução ágil de créditos tributários para evitar que impostos pagos se transformem em custo adicional às empresas.

Mesmo assim, o setor produtivo avalia que a simplificação não garante, por si só, a redução da carga total. “Sem controle dos gastos públicos e sem uma reforma administrativa, continuaremos com um Estado caro, ainda que mais organizado”, pondera Leo de Castro.

Risco de fechamento e estagnação

A avaliação da CNI é a de que o atual cenário é preocupante. “Nossa pesquisa mostra que, se o Custo Brasil não cair, 24% dos empresários temem o fechamento de empresas e falências, e 19% preveem recessão ou colapso econômico”, alerta Leo de Castro. “Não é alarmismo. É a realidade de quem compete com países que não carregam esse fardo.”

Além disso, o Brasil corre o risco de perder oportunidades estratégicas, como a atração de empresas que buscam produzir mais perto dos mercados consumidores e os investimentos ligados à transição energética.

“Se continuarmos estagnados, perderemos a janela de oportunidades do nearshoring e da transição verde”, afirma o vice-presidente da entidade.

Comunicação acessível

Diante desse cenário, a CNI tem apostado em uma campanha para aproximar a população desse tema que impacta diariamente a vida das pessoas, trazendo para o lado mais lúdico os personagens que atuam diretamente na economia do país.

“A ideia foi dar nome e forma aos inimigos invisíveis. O ‘Tributácio’, por exemplo, representa a insanidade do nosso sistema fiscal atual, a ‘Infradonha’ escancara nossa logística deficiente e o ‘Burocratus’ é a insegurança jurídica que amarra decisões”, explica Silveira.

Já o “Jurássico”, materializa o sistema de crédito arcaico e caro que impede 77% das empresas de investirem mais. E o “Custo Circuito” dá cara aos penduricalhos na conta de luz que fazem a energia ser caríssima, mesmo com matriz limpa.

Fonte: Metrópoles

Cibelle Freitas
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