A retirada da tarifa de 10% para 238 produtos pelos Estados Unidos trouxe apenas um alívio moderado para o exportador brasileiro. Apesar do sinal político positivo, entidades do setor afirmam que o problema central permanece: a sobretaxa adicional de 40% imposta pelo governo Donald Trump no fim de julho.
Dos itens beneficiados, apenas quatro — três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará — agora têm tarifa zerada. Os demais continuam enfrentando barreiras que reduzem a competitividade brasileira em relação a concorrentes como Colômbia e Vietnã.
A Confederação Nacional da Indústria avalia a medida como insuficiente. Os 80 produtos parcialmente beneficiados somaram US$ 4,6 bilhões em exportações no ano passado, cerca de 11% do total enviado aos EUA. A CNI e federações estaduais reforçam que será preciso intensificar a diplomacia comercial para reverter as tarifas extras.
O setor de carnes, porém, demonstrou mais otimismo: para a Abiec, a redução devolve previsibilidade ao comércio bilateral, ainda que o imposto sobre a carne bovina siga elevado, agora em 66,4%.
Já o setor de café mantém cautela. A tarifa caiu de 50% para 40%, mas concorrentes diretos receberam reduções maiores ou até isenção, o que mantém o Brasil em desvantagem. O governo reconhece o desafio e diz que a prioridade agora é recuperar competitividade nas mesas de negociação.
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