O uso da tadalafila — substância vasodilatadora indicada para o tratamento de disfunção erétil — disparou no Brasil e tem preocupado médicos e especialistas em saúde sexual. De acordo com dados da IQVIA e da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), foram mais de 61 milhões de unidades vendidas em 2024, o que posiciona o medicamento como o quinto genérico mais vendido do país.
O dado mais alarmante: o crescimento de vendas foi de 193% nos últimos cinco anos, especialmente entre homens jovens e saudáveis, sem diagnóstico clínico de disfunção erétil. O fenômeno vem sendo chamado por especialistas de “Geração Tadalafila”, um retrato de uma geração marcada pela pressão de desempenho sexual, ansiedade e automedicação.
Em consultório, o urologista Dr. Flavio relata que boa parte dos pacientes mais jovens não apresenta qualquer alteração orgânica. “O que eles têm é ansiedade, medo de falhar, pressão por performance. E, em vez de investigar a causa real, usam a pílula como muleta emocional”, afirma.
Embora bastante popular, o uso indiscriminado da tadalafila não é isento de riscos. Entre os efeitos colaterais estão dor de cabeça, taquicardia, rubor facial, visão embaçada, dores musculares e queda de pressão arterial. Além disso, o uso frequente e sem necessidade médica pode levar a uma dependência psicológica. “O homem passa a acreditar que só consegue ter ereção com o remédio, o que agrava o quadro de insegurança”, alerta o médico.
Outro fator que impulsiona o consumo da tadalafila é o fácil acesso ao medicamento, muitas vezes adquirido pela internet, sem receita médica. A situação se agrava com a popularização do chamado “kit balada”, combinação que inclui o uso de medicamentos para ereção com bebidas alcoólicas, energéticos e outras substâncias estimulantes.
Nas redes sociais, influenciadores e grupos de WhatsApp contribuem para a banalização do uso. “Existe uma falsa sensação de segurança por ser um remédio conhecido. Mas não é porque está à venda que pode ser usado sem controle”, ressalta Dr. Flavio.
Segundo os especialistas, o fenômeno vai além da automedicação. Trata-se de um reflexo de problemas estruturais, como a falta de educação sexual de qualidade e a manutenção de estigmas ligados à masculinidade.
“Homens estão adoecendo em silêncio, com vergonha de falar sobre suas inseguranças, porque o machismo ainda impõe o mito da performance. Em vez de buscar acolhimento e orientação, muitos recorrem ao medicamento como única saída”, diz Dr. Flavio.
Para lidar com o problema, é preciso mais do que restringir a venda de medicamentos. O caminho, segundo especialistas, envolve educação, acolhimento e conscientização. Iniciativas como o Instituto Homem, dedicado à saúde sexual masculina, têm investido em atendimento médico, escuta qualificada e orientação para todas as idades.
“O cuidado vai além do sintoma. O objetivo é devolver ao homem o protagonismo sobre sua saúde e sua sexualidade — sem tabu, sem vergonha”, conclui Dr. Flavio.
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