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Estudo mostra importância do pré-natal para evitar anomalias em bebês

Mulheres que não fazem pré-natal têm 47% mais chances de o bebê desenvolver anomalias. A conclusão é de um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que investigou os fatores socioeconômicos e biológicos associados às anomalias congênitas no Brasil. A análise encontrou associações entre as condições do bebê e fatores como acompanhamento pré-natal insuficiente, idade materna, raça/cor e baixa escolaridade.

Uma parte dessas anomalias poderia ser evitada com o aprimoramento de políticas públicas, conforme avalia a autora do artigo, a pesquisadora associada do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia, Qeren Hapuk:

“É importante que as mães, independente do seu status social, econômico, tenham acesso ao pré-natal, para que diversas anomalias congênitas sejam prevenidas, e que elas sejam bem assistidas durante a gestação, para que essas anomalias sejam prevenidas ou diagnosticadas de forma precoce.”

A pesquisadora da Fiocruz aponta que mães que se autodeclararam pretas tiveram 16% mais chance de ter filhos com anomalias congênitas em comparação com as mães brancas:

“Isso está relacionado, principalmente, com a vulnerabilidade socioeconômica. Durante a discussão do trabalho, a gente observou no estudo que as mães pretas estão mais expostas. Elas sofrem mais para ter acesso ao pré-natal, sofrem mais para conseguir exames mais especializados, ir nas consultas, tratamento durante o pré-natal e durante o parto.”

Outro fator de risco identificado foi que mulheres com mais de 40 anos possuíam 2,5 vezes mais chances de ter um bebê com anomalias congênitas. Já mulheres com menos de 20 anos tiveram um risco de 13%. A baixa escolaridade, até três anos de estudo, significou 8% mais chances de a criança desenvolver alguma anomalia do que as mães com 12 ou mais anos de escolaridade.

Os casos de nascidos com defeitos na formação do cérebro e da medula espinhal foram mais ligados a baixa escolaridade, ausência de pré-natal e gestação múltipla. Defeitos cardíacos foram associados a idade avançada, perda fetal e pré-natal inadequado, enquanto casos de Síndrome de Down foram fortemente associados à idade materna superior a 40 anos. Fatores como baixa renda, baixa escolaridade e má alimentação também podem aumentar os riscos. (Agência Brasil)

Cristiane Carvalho
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