Editorial

Editorial: Um assunto que não é brincadeira (22/04/2022)

De acordo com os últimos dados disponíveis da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua de 2019, mais de um milhão e setecentas mil crianças e adolescentes, na faixa etária dos 5 aos 17 anos, estavam em situação de trabalho infantil no Brasil antes da pandemia.

Os números ficam piores quando se analisa a pesquisa e verifica-se que, do total citado, ao menos 706 mil vivenciavam as piores formas de trabalho infantil.

É importante salientar que crianças e adolescentes, em situação de trabalho infantil, correm risco de danos físicos, mentais e sociais.

Além disso, esse tipo de condição compromete sobremaneira a educação, restringe os direitos dessas pessoas previstos no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e limita as oportunidades futuras.

A população, de um modo geral, acaba colaborando com essa triste realidade, já que, por se sensibilizar, tende a comprar ou a dar esmolas a menores que ficam o dia todo em cruzamentos de avenidas e ruas.

Não há dignidade nisso e, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o dinheiro dado por esmola ou pela compra de produtos só colabora para o aumento da exploração infantil, seja ela qual for.

Muitas crianças e adolescentes justificam que a venda dos produtos ou o pedido de esmola é para ajudar em casa ou ajudar a mãe ou o pai a criarem os irmãos mais novos.

Dados coletados pelo Unicef em São Paulo apontam para o agravamento da situação de trabalho infantil por conta da pandemia.

Entre os dados levantados, o Unicef identificou a intensificação do trabalho infantil com aumento de 26% entre as famílias em situação de vulnerabilidade social.

Em Sorocaba, a prefeitura tem se mostrado preocupada com essa questão, em especial, pelo fato de que o número de crianças e adolescentes em cruzamentos aumentou nos últimos meses.

Isso é facilmente verificado por quem circula pelo trânsito da cidade no dia a dia.

Por conta disso, a Secretaria Municipal da Cidadania, conforme relatou o secretário Clayton Lustosa, em entrevista no Jornal da Cruzeiro nesta semana, vem realizando um amplo programa voltado à prevenção e ao combate do trabalho infantil no município.

A ação de tão positiva recebeu o apoio do desembargador do Trabalho no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, João Batista Martins César.

A inciativa da Prefeitura de Sorocaba traz a ideia de auxiliar famílias com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, aproximando-as da rede de proteção proporcionada pelo município e, assim, evitar e combater a prática do trabalho infantil na cidade.

Em setembro do ano passado, a Secretaria da Cidadania formou a primeira turma de adolescentes aprendizes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).

Nesse trabalho, os técnicos da Secretaria da Cidadania promovem a capacitação dos jovens, oferecendo a eles curso de Informática Básica, preparação para entrevista de trabalho e orientações para o trabalho, incluindo a preparação de currículo, entre outras atividades conforme o perfil do bairro onde está sendo realizado o programa.

Apesar de positiva a ação, há muito mais ainda a ser feito, e os programas lançados não podem parar.

Paralelamente a isso, uma força-tarefa realiza abordagens sociais para identificar a origem de crianças e adolescentes que se concentram em cruzamentos de Sorocaba.

Para reverter a tendência de aumento do trabalho infantil em nível global, a OIT e o Unicef recomendam algumas ações como a proteção social adequada para todos, incluindo benefícios universais para crianças e adolescentes.

Aumento dos gastos com educação de qualidade e retorno de todas as crianças e adolescentes à escola; promoção de trabalho decente para adultos, a fim de que não precisem recorrer às crianças e adolescentes para ajudar a gerar renda familiar.

Além disso, recomendam o investimento em sistemas de proteção infantil, desenvolvimento agrícola, serviços públicos rurais, infraestrutura e meios de subsistência.

De certa forma, a Prefeitura de Sorocaba vem promovendo algumas das recomendações daquelas entidades, mas precisa melhorar  mais esses programas de proteção à criança e ao adolescente.

A cada um de nós cabe colaborar com as iniciativas e não  dar esmolas nem comprar produtos em cruzamentos das mãos de crianças e adolescentes.

Antes disso, avise as autoridades locais sobre o trabalho infantil nos cruzamentos.

Então, vamos denunciar e colaborar para o fim do trabalho infantil.

Cruzeiro FM, número um em jornalismo!!!

Cibelle Freitas
Compartilhar

Notícias recentes

Homem morre após ser atropelado por carreta na Raposo Tavares, em Araçoiaba da Serra

Um pedestre morreu após ser atingido por uma carreta na madrugada desta terça-feira (10) na…

7 minutos atrás

Ações de Israel no Líbano deslocam 667 mil pessoas em uma semana

Os ataques e as ordens de evacuação em massa de Israel no Líbano forçaram o…

14 minutos atrás

Prefeitura interdita Parque Porto das Águas após transbordamento do Rio Sorocaba

A Prefeitura de Sorocaba determinou a interdição temporária do Parque Porto das Águas após o…

35 minutos atrás

Economia e Negócios: Piscicultura brasileira atinge marco histórico em 2025 e supera 1 mi de toneladas

A piscicultura brasileira atingiu um marco histórico em 2025, superando 1 milhão de toneladas de…

36 minutos atrás

Mãos à Obra: Prêmio Seconci-SP de Saúde e Segurança do Trabalho está com inscrições abertas

https://youtu.be/4hQ0Uk2q89A Estão abertas até o dia 10 de abril as inscrições para a 10ª edição…

1 hora atrás

Receita anuncia regras do imposto de renda 2026 no dia próximo 16

A Receita Federal anuncia na próxima segunda-feira, dia 16, as novas regras do Imposto de…

3 horas atrás