Um estudo da Transparência Brasil aponta que a Câmara dos Deputados destinou R$ 1,3 bilhão em emendas parlamentares sem identificar quais parlamentares indicaram os recursos. Os repasses foram feitos por meio das chamadas “emendas de liderança”, assinadas apenas pelos líderes dos partidos, modelo que, segundo a entidade, mantém características semelhantes às do antigo orçamento secreto.As informações são do Jornal O Estado de São Paulo.
O levantamento identificou 260 indicações realizadas por lideranças partidárias durante 2025. Entre elas, a liderança do Republicanos, partido presidido na Câmara por Hugo Motta (PB), foi responsável por R$ 218,4 milhões em emendas, sendo que 43% dos recursos foram destinados à Paraíba, estado representado pelo parlamentar.
O estudo também aponta que o PL, presidido por Sóstenes Cavalcante (RJ) na Câmara, destinou aproximadamente R$ 130 milhões por meio do mesmo mecanismo. Outras legendas, como PP, União Brasil, PSD, MDB e PSB, também utilizaram as emendas de liderança para indicar recursos sem identificação do autor individual.
Segundo a Transparência Brasil, a ausência de identificação do parlamentar responsável pela indicação dificulta a rastreabilidade dos recursos públicos e contraria o objetivo de dar maior transparência às emendas parlamentares após a decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional o orçamento secreto.
A Câmara dos Deputados ainda não se manifestou sobre o conteúdo do estudo.