Venda de livros cresce no Brasil e atrai cada vez mais jovens leitores
Venda de livros cresce no Brasil e atrai cada vez mais jovens leitores (Freepick)
O hábito da leitura tem conquistado cada vez mais brasileiros, especialmente entre os jovens. Uma pesquisa da Câmara Brasileira do Livro, realizada pela Nielsen BookData e divulgada neste ano, apontou crescimento na venda de livros em 2025, com cerca de três milhões de novos consumidores no país.
Segundo o levantamento, o maior avanço aconteceu entre pessoas de 18 a 34 anos, faixa etária que registrou crescimento superior a três pontos percentuais em relação ao ano anterior.
O repórter Vinicius Lara preparou uma reportagem especial, acompanhe a abaixo:
A estudante Mirela Rodrigues, de 15 anos, contou que gosta de ter livros na estante de casa e que costuma comprar exemplares tanto em livrarias quanto pela internet.
“Eu costumo comprar o livro, porque eu gosto de ver ali no meu armário, bem organizadinho, bonitinho. Também não tem aquele prazo para entregar na biblioteca. Às vezes não consigo ler tão rápido, então eu prefiro comprar, e também pelo fato de conseguir emprestar livros para os meus amigos e incentivar a leitura neles”, diz Mirela.
Já a irmã mais nova, Helena Rodrigues, de 7 anos, disse que gosta de diferentes tipos de leitura.
“Ah, eu gosto de ler livros, muito tipos de livros. Eu tô muito viciada em gibis”, revela.
Enquanto Helena se interessa por diversos gêneros, Mirela revelou a preferência por romances e obras de ficção.
“Eu leio bastante tipos de livros, uma grande variedade, mas o gênero literário que mais tem me agradado ultimamente é fantasia, romance e romantasia – uma mistura entre os dois gêneros”.
A professora e escritora Priscila Mancussi destacou a importância da leitura no desenvolvimento de crianças e adolescentes, incentivando o hábito desde cedo.
Professora e escritora Priscila Mancussi
“Eu, como professora e como escritora, acredito que a leitura traz muitos benefícios para o desenvolvimento da criança e do indivíduo. Ela traz repertório para as crianças, para que os estudantes possam construir textos, produzir textos, traz para elas também uma leitura de mundo bem mais vasta”, enfatiza.
A pesquisa também mostrou que os livros impressos seguem como preferência da maioria dos leitores. Cerca de 80% dos consumidores compraram exemplares físicos em 2025, enquanto 20% optaram pelas versões digitais.
Os dados refletem os hábitos da família Rodrigues, que costuma adquirir pelo menos um livro por mês, seja impresso ou digital. Além disso, as irmãs afirmaram que também aproveitam para emprestar os livros uma para a outra.
“Eu gosto dos dois [tipos de livros], mas o físico é mais legal. O digital eu faço “Elefante Letrado”, mas eu prefiro mais o físico”, afirma a pequena Helena.
Mirela vai na mesma linha
“Eu prefiro o livro físico, porque gosto de ter a sensação de folhear a página, de ter o livro em mãos, de ter aquela sensação de fechar o livro para assimilar o que acabou de acontecer, mas eu também leio livro digital”, diz.
“Quando eu saio de casa e não tenho oportunidade de levar o livro comigo, eu acabo lendo no digital mesmo, mas é bem menos do que o físico”, completa Mirela.
Apesar do crescimento no número de leitores, o levantamento aponta desafios para ampliar o acesso à leitura. Entre as pessoas que não compraram livros em 2025, 28% afirmaram que a falta de livrarias próximas dificultou o acesso. Outros 35% disseram considerar os livros caros.
Priscila Minucci, que é da região de Sorocaba e autora do livro “Súbito”, além de integrante do movimento Cultivista de Sorocaba, também comentou sobre a importância de incentivar a leitura mesmo diante das dificuldades.
“Referente à compra de livros, a gente percebe uma dificuldade referente ao valor, porque geralmente o poder aquisitivo não acompanha o mercado, o salário mínimo não acompanha o mercado”, analisa.
Entretanto, a autora reafirma que os livros digitais democratizaram o acesso à leitura.Com a globalização, na era digital, acredito que isso nem seja mais um desafio tão grande, porque nós temos vários sites com livros gratuitos para baixar, várias plataformas de livros também, que você paga um custo bem baixo para poder acessar.
Eu percebo dificuldade também, no caso, das bibliotecas. A gente não tem muito acesso a bibliotecas e livrarias”.
Outro dado destacado pela pesquisa é a forte presença feminina entre os consumidores de livros. As mulheres representam 61% do público leitor no país. O levantamento ainda aponta que mulheres negras da classe C formam o maior grupo consumidor de livros do Brasil, correspondendo a 15% do total.