Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de 10 dias a partir desta quinta-feira (16) à noite, anunciou o presidente Donald Trump, que mais cedo teve conversas telefônicas separadas com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e, pela primeira vez, com o presidente libanês, Joseph Aoun. Um deputado do Hezbollah afirmou, logo após o anúncio do chefe da Casa Branca, que o grupo respeitará o cessar-fogo se Israel deixar de mirá-lo em seus ataques.
“Acabei de ter excelentes conversas com o altamente respeitado presidente do Líbano, Joseph Aoun, e com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a PAZ entre seus dois países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias a partir das 17h, horário de Washington [18h em Brasília]”, escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social.
Trump acrescentou que convidará ambos à Casa Branca, mas não anunciou uma data. Ele disse que pediu para seu vice-presidente, J.D. Vance, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, trabalharem com os dois países, que estão em guerra desde 1948, em busca de uma “paz duradoura”.
O primeiro-ministro libanês celebrou o acordo de cessar-fogo com Israel anunciado por Trump. Mais cedo, o deputado do Hezbollah Hussein Hajj Hassan afirmou à AFP que as negociações diretas do Líbano com Israel eram um “grave erro”, e pediu para Beirute parar de fazer “concessões gratuitas” aos Estados Unidos e a Israel.
Sob pressão do grupo Hezbollah, a presidência libanesa rejeitou a hipótese de conversas diretas com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, como desejavam os americanos. Um contato desta ordem entre os dois países inimigos seria inédito.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra com o Irã em 2 de março. Desde então, quase 2.200 pessoas foram mortas e mais de um milhão foram deslocadas por ataques israelenses. Hajj Hassan afirmou que o Líbano se recusou a ser incluído na trégua regional em vigor desde 8 de abril por causa de seu “ódio ao Irã”.
“O Líbano oficial insiste em obter um cessar-fogo por meio dos israelenses e dos americanos. Não quer alcançá-lo por meio do Irã”, salientou Hassan.
O deputado Ibrahim Moussaoui, representante do Hezbollah libanês, também reagiu após o anúncio de Trump. “Vamos respeitar o cessar-fogo com cautela (…) desde que se trate de uma interrupção total das hostilidades contra nós e que Israel não o explore para realizar assassinatos”, declarou o parlamentar à AFP.
Já a imprensa israelense havia indicado que o exército do país recebeu ordens para estar pronto para implementar um cessar-fogo – horas depois de destruir uma das últimas pontes no sul do Líbano, isolando a região do resto do país.
Mais cedo, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que um cessar-fogo no Líbano é “tão importante” quanto no Irã, em uma mensagem publicada no aplicativo de mensagens Telegram. “Estou acompanhando de perto a situação no Líbano e o estabelecimento de um cessar-fogo naquele país, uma questão de suma importância para nós”, declarou Ghalibaf, relatando uma reunião com seu homólogo libanês, Nabih Berri.
“Estamos trabalhando para convencer nossos inimigos a estabelecer um cessar-fogo permanente em todas as zonas de conflito, de acordo com o acordo de trégua” alcançado em 8 de abril com os Estados Unidos, acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o anúncio da trégua de 10 dias dias entre Israel e Líbano, afirmando que agora é necessário um “caminho para uma paz duradoura”. “É um alívio, porque este conflito já fez vítimas demais”, escreveu ela no X.
Enquanto isso, em Washington, o secretário de Defesa Pete Hegseth disse que os Estados Unidos manterão o bloqueio aos portos iranianos “pelo tempo que for necessário”, antes de emitir um alerta a Teerã caso um acordo não seja alcançado em breve.
“Este bloqueio está funcionando”, afirmou Pete Hegseth, em uma coletiva de imprensa no Pentágono. “Mas se o Irã fizer a escolha errada, haverá um bloqueio e bombas cairão sobre sua infraestrutura elétrica e energética”, ameaçou o ministro.
Desde segunda-feira, os militares dos EUA estão conduzindo um bloqueio aos portos iranianos, após o fracasso, no dia anterior, da primeira rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã no Paquistão, liderada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance.
“Este bloqueio se aplica a todos os navios, independentemente de sua nacionalidade, que se dirigem a ou partem de portos iranianos”, especificou o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, ao lado de Pete Hegseth. “Esta operação dos EUA é um bloqueio aos portos iranianos (…), não um bloqueio do Estreito de Ormuz. Até agora, 13 navios fizeram a escolha sábia de retornar”, informou o alto oficial militar.
(RFI/AFP)
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