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Cápsula Orion deixa órbita da Terra e astronautas seguem rumo a Lua

A cápsula Orion, da missão Artemis II, realizou com sucesso, na noite desta quinta-feira (2), uma manobra considerada fundamental para levar astronautas novamente em direção à Lua.

O procedimento, conhecido como injeção translunar, consiste na queima do motor responsável por retirar a nave da órbita terrestre e colocá-la em trajetória rumo ao espaço profundo. A operação foi autorizada após técnicos confirmarem o funcionamento adequado de todos os sistemas da cápsula.

A decisão final ocorreu no Centro Espacial Johnson, em Houston, onde controladores de voo deram o aval definitivo para a manobra. Segundo a NASA, este foi o último grande acionamento de motor previsto durante toda a missão.

Com a queima concluída, a Orion passou a seguir a chamada trajetória de retorno livre — um percurso que utiliza a gravidade lunar para levar a nave até a Lua e trazê-la de volta à Terra sem necessidade de grandes correções de rota.

“A manobra foi concluída com sucesso. A tripulação da Artemis II está oficialmente a caminho da Lua”, afirmou o administrador da agência espacial, Jared Isaacman.

Logo após a operação, os astronautas informaram que estão bem e animados com o avanço da missão. De acordo com a NASA, a nave já se encontra a cerca de 1.600 quilômetros da Terra. O canadense Jeremy Hansen, primeiro astronauta não norte-americano a participar de um voo lunar desse tipo, relatou boas condições a bordo.

Próximas etapas da missão

Com a rota definida, a tripulação seguirá viagem testando sistemas essenciais, como suporte de vida, comunicação e navegação em regiões além do alcance direto dos satélites terrestres.

O voo marca o retorno de missões tripuladas além da órbita da Terra após mais de cinco décadas — a última ocorreu em 1972, com a Apollo 17.

A Artemis II não prevê pouso na superfície lunar. O objetivo principal é validar o desempenho da nave com astronautas a bordo durante um voo de aproximadamente dez dias, que fará um sobrevoo da Lua antes do retorno.

A previsão é que, em 5 de abril, a cápsula entre na esfera de influência gravitacional lunar. Já no dia 6, ocorrerá o momento mais aguardado da missão, quando a Orion passará a poucos milhares de quilômetros da superfície e os astronautas poderão observar o satélite natural diretamente pelas janelas da nave.

Durante esse trecho, a espaçonave cruzará o lado oculto da Lua e ficará sem comunicação com a Terra por cerca de 30 a 50 minutos.

Após o sobrevoo, a gravidade lunar ajudará a impulsionar a nave de volta ao planeta. O encerramento da missão está previsto para 10 de abril, com a reentrada na atmosfera terrestre e o pouso da cápsula no Oceano Pacífico, onde será realizada a operação de resgate da tripulação.

Imagem: Nasa

Vinicius Lara
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