Chefe da agência reguladora dos EUA ameaça emissoras com perda de licença por cobertura da guerra

Chefe da agência reguladora dos EUA ameaça emissoras com perda de licença por cobertura da guerra/ Foto: Getty Images

O presidente da Federal Communications Commission (FCC), Brendan Carr, ameaçou emissoras de rádio e televisão dos Estados Unidos com a possibilidade de perda de licença de transmissão por causa da cobertura jornalística sobre a guerra envolvendo o Irã.

A declaração foi feita no sábado, quando Carr publicou nas redes sociais um alerta direcionado a empresas de mídia que, segundo ele, estariam divulgando “boatos” e “distorções” sobre o conflito.

Em uma das mensagens, o presidente da agência reguladora afirmou que emissoras precisam atuar em defesa do “interesse público” e advertiu que poderiam enfrentar sanções no próximo ciclo de renovação das licenças de transmissão.

Carr também repetiu o argumento de que a legislação permitiria punições contra conteúdos que ele classificou como “fake news”, embora não tenha apontado quais informações divulgadas pela imprensa seriam falsas.

A manifestação ocorreu após Carr compartilhar uma publicação do presidente Donald Trump na rede social Truth Social, em que Trump criticava a cobertura da mídia sobre a guerra.

A reação foi imediata entre parlamentares e organizações de defesa da liberdade de expressão. O senador democrata Mark Kelly afirmou que ameaças desse tipo podem ferir a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de imprensa no país.

Especialistas em regulação de mídia também questionaram a viabilidade da medida. O advogado Andrew Jay Schwartzman afirmou que cassar ou negar a renovação de licenças de transmissão é um processo complexo e demorado, sujeito a diversas garantias legais.

Segundo ele, as declarações têm mais impacto político do que efeito prático imediato. Isso porque o calendário de renovações das licenças de emissoras de televisão nos Estados Unidos só deve ocorrer novamente no final de 2028.

Carr respondeu às críticas afirmando que a legislação de comunicações permitiria antecipar processos de renovação caso a agência considere necessário.

O episódio ocorre em meio a novas críticas do governo de Donald Trump à cobertura da imprensa sobre a guerra e a programas televisivos. Autoridades da administração também têm acusado veículos de comunicação de divulgar informações consideradas imprecisas, sem apresentar provas públicas das alegações.

Entidades do setor reagiram à ameaça. A Radio Television Digital News Association classificou o uso do poder regulatório para pressionar decisões editoriais como inconstitucional e afirmou que a medida representa risco à liberdade de imprensa.

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