O estado de São Paulo começou 2026 com queda nos crimes contra o patrimônio e registrou, em janeiro, o menor número de roubos em geral da série histórica. Foram 12,1 mil ocorrências no mês, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). O resultado representa uma redução de 24% em relação a janeiro de 2025, com 3.844 casos a menos na comparação com os 15.972 registros do mesmo período do ano passado.
Já a capital paulista registrou redução de 19,1% nos roubos em geral em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025. Foram 7.419 ocorrências no primeiro mês deste ano, contra 9.180 no período anterior, o menor número da série histórica iniciada em janeiro de 2001.
Na região central da capital, os roubos diminuíram 18,8%, com 1.062 ocorrências. Na área da 2ª seccional, que inclui bairros como Vila Mariana, Ipiranga e Sacomã, os registros caíram 25,5%, totalizando 698 casos. Já na 8ª seccional, que abrange bairros da zona leste como São Mateus, Cidade Tiradentes e Guaianases, houve redução de 42,2%, com 602 registros.
No interior do estado, os roubos caíram de 2.882 para 2.035 registros, redução de 29,3%, enquanto os furtos em geral diminuíram 13,9%.
Como parte das estratégias de enfrentamento aos roubos, a Polícia Militar realizou em janeiro a Operação Impacto Força Total, com três dias de ações em diferentes regiões da capital. Mais de 100 policiais e cerca de 50 viaturas participaram da operação, que contou com bloqueios, abordagens, fiscalização e apoio aéreo do helicóptero Águia.
Ao comentar os resultados divulgados o secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, atribuiu a queda dos índices ao reforço das ações de policiamento e ao uso de inteligência.
“Os resultados demonstram que o investimento em inteligência, o fortalecimento do policiamento ostensivo e a atuação integrada das polícias estão produzindo efeitos concretos. Essa redução consistente mostra que estamos avançando no enfrentamento aos crimes e na proteção da população”, disse.
Entre os principais investimentos realizados pelo Governo de São Paulo nos últimos três anos na área da segurança pública estão o reforço no efetivo policial, com mais de 14 mil novos agentes nas ruas; o combate ao crime organizado, com a realização de mais de 420 operações conjuntas; e a implantação do programa Muralha Paulista, que opera quase 100 mil câmeras interligadas, distribuídas entre leitores de placas, equipamentos de reconhecimento facial e dispositivos de monitoramento em tempo real. A rede integra câmeras e sensores de órgãos públicos e privados a bases de dados e indicadores de localização, ampliando a capacidade de análise e resposta das forças policiais, operacionais e especializadas.
Nos crimes relacionados a veículos, os indicadores também alcançaram os melhores resultados da série histórica para o mês de janeiro. Em janeiro, os roubos de veículos diminuíram 41%, com 1.361 registros, ante 2.312 no mesmo período de 2025. Foi a primeira vez em 26 anos que o número de veículos roubados no estado ficou abaixo de dois mil ocorrências no mês de janeiro. Os furtos de veículos também recuaram e passaram de 7.729 para 6.726 casos, queda de 12,9% e a segunda menor marca histórica para o mês.
Além da prevenção, as polícias atuam na recuperação de veículos. Somente em janeiro deste ano, 3.650 veículos foram recuperados.
Outro indicador que apresentou retração foi o de roubos de carga, crime que impacta diretamente a cadeia logística e o abastecimento. Na capital e na Grande São Paulo, a queda chegou a 27,5% na comparação com janeiro de 2025.
Em todo o estado, ocorreram 254 roubos de carga em janeiro, ante 350 no mesmo período de 2025, queda de 27,4%. Capital e Grande São Paulo concentraram 82% dos registros.
Além da queda nos crimes contra o patrimônio, os indicadores de crimes contra a vida também apresentaram queda no início de 2026. O levantamento da Secretaria da Segurança Pública indica que janeiro começou com o menor número de homicídios dolosos da história no estado. As delegacias de SP registraram 190 boletins de ocorrência relacionados ao crime, uma redução de 11,6% em comparação com janeiro do ano passado.
A maior redução foi observada na Grande São Paulo, com queda de 37,2% nas mortes intencionais, passando de 51 para 32 casos. Na capital paulista, os registros caíram de 46 para 34, redução de 26%.
O resultado, segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, reflete o avanço das investigações e o uso mais intensivo de tecnologia na elucidação dos crimes.
“Os números mostram que o trabalho da Polícia Civil tem se aprimorado cada vez mais. A rapidez nas investigações, o acompanhamento da perícia nos casos e a modernização dos equipamentos tecnológicos para ajudar na elucidação dos crimes tem impedido que o autor faça novas vítimas e, assim, diminua os indicadores dos crimes contra a vida”, disse o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian.
Além do trabalho investigativo, as forças de segurança utilizam ferramentas e aplicativos para análise de dados e definição de estratégias de prevenção. Em 2023, a SSP criou o programa SPVida, com dados abertos ao público para auxiliar o planejamento de políticas públicas e ações voltadas à prevenção de homicídios.
Na capital paulista, os homicídios dolosos também atingiram o menor número da história para janeiro. Foram 34 casos registrados em 2026, contra 46 no mesmo período do ano anterior, queda de 26%.
Outros indicadores de violência em São Paulo acompanharam a tendência de recuo. Os feminicídios caíram de sete para cinco casos, enquanto os estupros passaram de 270 para 245 ocorrências.
Os feminicídios na Grande São Paulo caíram de 3 registros em janeiro de 2025 para 1 caso em janeiro deste ano. O resultado também se destaca frente aos anos anteriores para o mesmo mês. Em janeiro de 2023, foram 2 casos; e em 2024, 3. A marca registrada em 2026 é a menor da série recente.
Os casos de violência sexual caíram no início do ano, segundo dados oficiais. O estado começou 2026 com redução nos registros de estupro, incluindo os de vulnerável. Em janeiro, foram contabilizadas 1.182 ocorrências, queda de 8% em relação ao mesmo mês de 2025, quando houve 1.286 registros.
Na análise por tipificação, os estupros passaram de 307 para 291 casos, redução de 5,2%. Já os estupros de vulnerável, crimes contra menores de 14 anos ou pessoas que não podem oferecer resistência ou consentimento, recuaram de 979 para 891 registros, queda de 8,9%.
Na capital paulista, os registros gerais passaram de 270 para 245 ocorrências em janeiro, diminuição de 9,2%. Nos casos que não envolvem vítimas vulneráveis, a queda foi de 20,6%, passando de 87 para 69 denúncias. Já os estupros de vulnerável caíram de 183 para 176 registros, retração de 3,8%.
A maior redução proporcional ocorreu na Grande São Paulo, que registrou 204 ocorrências neste ano, contra 268 no mesmo período de 2025, queda de 23,8%. No interior do estado, houve diminuição de 2%, passando de 748 para 733 registros.
O enfrentamento à violência contra a mulher envolve ações integradas entre segurança pública e políticas sociais, incluindo o fortalecimento das Delegacias de Defesa da Mulher, o aplicativo SP Mulher Segura, o Protocolo Não Se Cale e o movimento SP Por Todas.
Os latrocínios também apresentaram redução para o mês de janeiro. Foram sete casos registrados em todo o estado, número mais baixo em 26 anos e mais da metade do total registrado em janeiro de 2025, quando houve 18 ocorrências. Todas as regiões apresentaram queda: na capital paulista os casos passaram de quatro para dois; na Grande São Paulo, de cinco para dois; e no interior do estado, de nove para três.
As cidades do interior registraram três latrocínios em janeiro, seis casos a menos que no mesmo período de 2025. Segundo o major Hudson Rosa, coordenador do programa SP Vida, a redução está relacionada ao reforço do policiamento em áreas estratégicas e ao combate aos roubos.
Em janeiro, os municípios paulistas registraram 124 homicídios dolosos, seis casos a mais que no mesmo período do ano passado. O major destacou que a variação é analisada dentro de um contexto sazonal, com maior circulação de pessoas e eventos no fim e início do ano.
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