Apesar dos avanços nas discussões sobre igualdade de gênero, as mulheres ainda enfrentam barreiras significativas no mercado de trabalho, especialmente no acesso a cargos de liderança, equiparação salarial e reconhecimento profissional. A chamada dupla jornada, somada a vieses culturais enraizados, contribui para trajetórias desiguais desde o início da carreira.
Comportamentos semelhantes seguem sendo avaliados de maneira distinta: enquanto a assertividade masculina costuma ser associada à confiança e liderança, a feminina pode ser interpretada como arrogância; a ambição deles é vista como visão estratégica, a delas, como excesso.
A baixa representatividade em posições executivas também impacta a percepção sobre capacidade e pertencimento, criando um ciclo que desestimula novas lideranças. Mesmo entre as 100 mulheres mais poderosas listadas pela Forbes, 80% têm mais de 50 anos — dado que inspira, mas também evidencia que muitas carreiras femininas são marcadas por pausas, adiamentos e recomeços.
Nesse contexto, decisões relacionadas à maternidade ganham contornos ainda mais complexos. Cada vez mais mulheres avaliam a possibilidade de adiar ou até abrir mão de ter filhos, impulsionadas por maior autonomia financeira, objetivos ampliados e desejo de crescimento profissional.
O congelamento de óvulos surge como alternativa para preservar escolhas, embora ainda envolva custos elevados, desinformação e inseguranças.
Para a doutora em Gestão da Inovação Renata Seldin, com mais de 24 anos de experiência como executiva em consultoria de gestão e autora do livro As perdas no caminho: em busca de uma família, é fundamental que as empresas avancem em políticas de apoio, como licenças parentais ampliadas, programas de reintegração e cultura organizacional inclusiva.
Em entrevista à jornalista Cibelle Freitas, Renata defende que igualdade não significa apenas alcançar o topo, mas ter liberdade para decidir quando e como fazê-lo, sem abrir mão dos próprios projetos de vida.
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