O estudante Leandro Pinheiro, 25, afirma ter sido chamado de “trouxa” após devolver R$ 200 mil recebidos por engano via Pix em Goiânia. Desempregado, ele tenta concluir o curso técnico de enfermagem.
Leandro recebeu o valor em sua conta no dia 17 de janeiro e decidiu devolvê-lo após contato do empresário que fez a transferência por engano. A entrada repentina do dinheiro provocou sentimentos opostos. “Na hora veio alegria e medo ao mesmo tempo. Pensei: será que alguém está tentando me usar como laranja para me prejudicar, me envolver em problema e depois dizer que eu me apropriei de algo?”, afirmou.
Após conversar com a família, ele optou por devolver o dinheiro o mais rápido possível. A avaliação foi de que manter o valor poderia trazer consequências futuras. “O que não é meu não é meu. Da forma que entrou, ia sair”, disse. A devolução foi feita por meio do procedimento bancário de contestação do Pix.
Depois da divulgação do caso, Leandro afirma que passou a receber tanto elogios quanto críticas pela decisão. Segundo ele, parte das reações veio de pessoas que não conhecia. “Me chamaram de trouxa, disseram que eu tive pena de rico e que deveria ter ficado com o dinheiro”, afirmou.
Por outro lado, o estudante relata manifestações espontâneas de apoio. “As pessoas chegam e falam parabéns pela sua honestidade. Isso me enche de orgulho”, disse.
Medo de golpe
Desde o início, Leandro afirmou ter receio de sofrer consequências legais caso permanecesse com o dinheiro. Ele disse que considerou a possibilidade de alguém estar testando sua reação ao depósito para, depois, acusá-lo de apropriação indevida ou fraude. “Pensei que poderiam depositar o dinheiro para ver se eu ficaria com ele e depois dizer que eu tentei me aproveitar”, relatou.
O estudante afirma que o temor não era apenas perder o valor, mas se ver envolvido em um problema judicial. Segundo ele, a hipótese de ser acusado de irregularidade pesou desde o primeiro momento.
Seguro-desemprego
Leandro é natural de Santa Inês (MA) e diz ter crescido na zona rural, com mais dois irmãos, em uma família de lavradores. Antes de se mudar para Goiânia há cerca de um ano para perseguir o sonho de cursar enfermagem, viveu oito anos em Nova Mutum (MT) e hoje mora na capital goiana, onde também vive um irmão.
Desempregado, depende do seguro-desemprego para se manter. Ele recebe R$ 1.750 por mês, dos quais R$ 850 vão apenas para o aluguel, além de despesas com faculdade, energia elétrica e água.
O orçamento apertado o obriga a definir prioridades a cada mês. “Tem mês que eu tenho de escolher o que pagar e o que deixar para depois. Às vezes, não dá para pagar academia, às vezes não dá para pagar internet, aí fico só com os dados do celular”, disse.
Os R$ 200 mil permitiriam sair do aluguel e concluir os estudos. Leandro reconhece que o valor teria impacto imediato em sua vida, sobretudo na possibilidade de seguir na área da enfermagem. Ele afirma que o dinheiro permitiria dar entrada em um apartamento e concluir o curso técnico, que considera seu principal projeto pessoal —mas que a possibilidade de ficar com o dinheiro não foi cogitada.
“Meus valores não estão à venda. Jamais me corrompo por dinheiro. Se amanhã cair R$ 2 milhões, eu faço a mesma coisa. Meu caráter e meus valores eu levo para o resto da vida”, diz Leandro Pinheiro.
(UOL)
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