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Três meses após o roubo, Louvre ainda não recuperou joias e vive fase difícil

O Museu do Louvre voltou a fechar as portas nesta segunda-feira (19), em Paris, em meio a uma combinação explosiva de falhas de segurança, investigações inconclusas e crescente insatisfação de seus funcionários.

A paralisação desta semana é resultado de mais uma greve de funcionários, que reivindicam melhores salários, condições de trabalho e investimentos em infraestrutura.

Desde meados de dezembro, o Louvre permaneceu completamente fechado por três dias e funcionou de forma parcial em outras seis ocasiões. Segundo representantes sindicais, cada dia de fechamento total gera um prejuízo estimado em € 400 mil, num museu que normalmente recebe cerca de 30 mil visitantes por dia, o mais visitado do mundo.

O museu enfrenta uma de suas maiores crises recentes, que teve como estopim o roubo de joias do acervo, avaliado em cerca de € 88 milhões, cerca de R$ 560 milhões, que completou três meses nesta segunda-feira.

Em outubro, apenas meia hora após a abertura, quatro homens vestindo coletes amarelos se misturaram à movimentação rotineira de turistas e equipes de manutenção no pátio do Louvre. Com uma esmerilhadeira, os ladrões abriram uma janela —cujos vidros não eram blindados— e, em menos de oito minutos, romperam vitrines, recolheram joias de origem napoleônica e deixaram o local. Quando o alarme soou, o grupo já havia descido pela mesma escada e fugido em scooters.

As joias seguem desaparecidas. Quatro homens estão presos sob suspeita de envolvimento direto no crime. Entre eles está Abdoulaye N., um taxista sem licença, conhecido por exibir acrobacias de moto nas redes sociais.

Outro suspeito, um argelino, foi detido quando tentava deixar Paris de avião. Um terceiro já havia participado de um roubo anterior com Abdoulaye, e o quarto é oriundo do mesmo subúrbio parisiense. Uma quinta suspeita, companheira de um dos investigados, responde em liberdade por cumplicidade.

Os juízes de instrução iniciaram os interrogatórios neste mês, mas ainda não chegaram a pistas decisivas. “Até o momento, não há avanços significativos”, afirmou a promotora de Paris, Laure Beccuau, em entrevista à AFP. Segundo ela, não existem indícios de que o butim tenha deixado o território francês.

A emissora TF1 divulgou imagens inéditas das câmeras do Louvre, exibidas no programa Sept à Huit, que mostram o momento exato do roubo. Uma apuração paralela do Ministério da Cultura da França concluiu que falhas estruturais facilitaram a ação criminosa: apenas uma das duas câmeras no ponto de entrada funcionava, e a central de controle não tinha monitores suficientes para acompanhar as imagens em tempo real.

(Folha de SP)

Cibelle Freitas
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