Ofensiva dos EUA na Venezuela não altera fluxo migratório na fronteira com o Brasil/ Foto: Marcelo Ferraz/UOL
A ofensiva militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não provocou mudanças significativas no fluxo de pessoas na fronteira terrestre entre Brasil e Venezuela, em Pacaraima, no norte de Roraima. Segundo autoridades locais, a movimentação registrada neste domingo (4) foi considerada “normal para um domingo”.
De acordo com um policial federal ouvido pela reportagem, a maioria dos venezuelanos que cruza a fronteira não associa a migração diretamente à ação americana. O principal fator segue sendo a crise econômica e social enfrentada no país vizinho, marcada por miséria, falta de emprego e insegurança alimentar.
O posto de fronteira ficou temporariamente fechado entre 3h e 13h, sendo reaberto de forma gradual. Inicialmente, apenas veículos com placas da Venezuela tiveram autorização para atravessar. Em seguida, o fluxo foi liberado para carros com placas do Brasil e de países do Mercosul.
Até o período da tarde, o cenário seguia dentro da normalidade, segundo agentes que atuam na região. A fiscalização permanece reforçada, com atuação conjunta da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Força Nacional e Exército Brasileiro.
Os agentes realizam bloqueios e abordagens a pedestres, motociclistas e motoristas, conferindo documentos, bagagens e os motivos da entrada ou saída do país. Mesmo com o reforço da segurança, não houve registro de tumultos ou aumento expressivo na circulação.
Poucos metros após a linha de fronteira, já em território brasileiro, funciona um abrigo destinado a venezuelanos em situação de vulnerabilidade. O espaço oferece dormitório, banho e água potável, mas permanece fechado aos fins de semana.
Sem acesso ao abrigo, muitos imigrantes se concentram sob uma cobertura metálica na área de imigração, tentando se proteger do sol enquanto aguardam atendimento na segunda-feira. É o caso de Ángel Esquerda, de 40 anos, que chegou a Pacaraima após três dias de viagem pegando caronas.
Segundo ele, a decisão de deixar a Venezuela foi tomada há dois meses e motivada pela falta de condições básicas para sobreviver. “No Brasil, espero conseguir trabalho e ter uma vida melhor”, afirmou. Mesmo sem saber onde irá morar ou trabalhar, Esquerda mantém a expectativa de recomeço.
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