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Putin rejeita proposta de paz e afirma: “Se a Europa quiser lutar uma guerra, nós estamos prontos”

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, voltou a tensionar o cenário internacional nesta terça-feira (2) ao rejeitar pontos incluídos pela Ucrânia e por líderes europeus no plano de paz apresentado pelos Estados Unidos. Em uma declaração enigmática, o líder russo afirmou que a Europa “não quer a paz” e sugeriu estar pronto para um confronto direto com países europeus.

“Se a Europa quiser lutar uma guerra, nós estamos prontos agora”, disse Putin durante encontro em Moscou com o enviado especial do governo americano, Steve Witkoff.

A frase, vista como ambígua e provocativa por analistas internacionais, repercutiu fortemente na Europa, que já vinha elevando o tom após incidentes com drones e denúncias de ações híbridas atribuídas à Rússia.

Para o Kremlin, porém, a fala seria uma resposta à declaração recente de um comandante da Otan, que mencionou a possibilidade de “ataques preventivos” contra Moscou — algo classificado pelo governo russo como “inadmissível”.

Rússia critica alterações europeias no plano de paz

Segundo o governo russo, o plano original elaborado por Donald Trump já atendia, em grande parte, aos interesses de Moscou. O documento previa, entre outros pontos:

  • cessão de cerca de 20% do território ucraniano;
  • compromisso formal de que a Ucrânia não ingressaria na Otan;
  • redução drástica do Exército ucraniano.

Líderes europeus, porém, alteraram alguns desses itens antes de enviar o texto final ao Kremlin. Foi essa intervenção que irritou Moscou.

Putin classificou as mudanças como “totalmente inaceitáveis”, mas não detalhou quais pontos motivaram a rejeição. A imprensa americana aponta que a Europa defendia, por exemplo, um Exército ucraniano maior do que o previsto inicialmente — cerca de 800 mil soldados — e rejeitava qualquer cessão permanente de território.

Encontro com enviado dos EUA não avança

Witkoff entregou pessoalmente a proposta revisada a Putin. O Kremlin disse estar aberto a negociar, mas acusou a Europa de “sabotar” as conversas.

Para a diplomacia russa, os europeus tentam “encurralar” Moscou com exigências impossíveis de aceitar. Oficiais próximos ao governo afirmaram a jornalistas russos que a posição europeia “demonstra falta de interesse real em encerrar a guerra”.

Putin também afirmou que, caso não haja acordo, as forças russas continuarão avançando e “libertarão mais territórios”.

Pokrovsk entra no centro das discussões

As declarações ocorrem no mesmo momento em que a Rússia reivindica a captura de Pokrovsk, cidade estratégica no leste da Ucrânia. Segundo Moscou, soldados teriam hasteado a bandeira russa na praça central após quase um ano de combates.

O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que Putin foi informado pessoalmente da operação e celebrou o que chamou de uma “conquista importante”.

A Ucrânia, porém, nega a perda total da cidade. Tropas ucranianas afirmam ainda controlar parte do norte de Pokrovsk e dizem ter realizado contra-ataques no sul.

Por que Pokrovsk é tão importante?

Pokrovsk, antes chamada de Krasnoarmeysk, é vista como peça-chave na guerra por motivos logísticos:

  • fica no cruzamento de rodovias e ferrovias usadas para abastecimento das tropas ucranianas;
  • sua queda abriria caminho para avanços russos em direção a Kramatorsk e Sloviansk;
  • poderia permitir que a Rússia cercasse unidades ucranianas no leste.

Militares ucranianos alertam que, se confirmada a captura, Moscou obteria sua melhor posição ofensiva desde o início da guerra em 2022.

Além de Pokrovsk, a Rússia também afirmou ter tomado Vovchansk, perto de Kharkiv — algo ainda não confirmado de forma independente.

Escalada no front e pressão nas negociações

O avanço russo aumenta a pressão sobre Kiev justamente quando Washington tenta destravar um cessar-fogo. Segundo análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), a Rússia teve, no mês passado, o maior ganho territorial desde novembro de 2024.

Enquanto isso:

  • Zelensky segue em viagens diplomáticas pela Europa;
  • a Otan discute respostas à “guerra híbrida russa”;
  • o Kremlin reforça o discurso de que está “pronto para qualquer cenário”.

A guerra, iniciada em 2014 e ampliada com a invasão russa de 2022, já deixou dezenas de milhares de mortos e mantém 19% do território ucraniano sob controle de Moscou.

Com informações do g1

Vinicius Lara
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