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Inteligência artificial: especialistas discutem sobre os riscos do uso da tecnologia na educação

O uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) entre estudantes tem provocado debates e gerado preocupação sobre como as novas tecnologias podem afetar o processo de aprendizado entre crianças e jovens. Se, por um lado, a tecnologia promete apoio, agilidade e produtividade, por outro, pesquisadores alertam para impactos preocupantes na formação cognitiva, na autonomia e no desenvolvimento crítico de crianças e adolescentes.

O jornalismo da rádio Cruzeiro FM conversou com dois especialistas em Inteligência Artificial sobre o assunto. O leitor pode conferir a entrevista completa abaixo.

Um estudo recente conduzido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) reforça essas inquietações ao demonstrar efeitos negativos no desempenho de jovens que utilizaram IA de forma exclusiva em atividades acadêmicas.

O que o estudo do MIT descobriu

A pesquisa acompanhou estudantes durante quatro meses, dividindo-os em três grupos:

  • um grupo produzia seus textos apenas com conhecimento próprio;
  • outro recorria a mecanismos tradicionais de busca, como o Google;
  • o terceiro utilizava ferramentas de inteligência artificial generativa — como o ChatGPT — para auxiliar nas tarefas.

Os resultados mostraram que os estudantes do último grupo apresentaram pior desempenho em indicadores cognitivos, linguísticos e comportamentais. Além disso, perderam parte do senso de autoria textual, já que a dependência das respostas prontas diminuiu o esforço criativo e o engajamento intelectual.

Para a comunidade acadêmica, o estudo acende um alerta: a IA pode ser útil, mas o uso indiscriminado pode comprometer habilidades essenciais para a formação escolar.

Popularização da IA e desafios na educação

Apesar de ser uma área de estudo com mais de meio século, a IA ganhou enorme visibilidade nos últimos anos com o avanço das ferramentas generativas — capazes de produzir textos, imagens e códigos em segundos. Para o professor e pesquisador Luís Roberto Albano, que estuda o tema há 15 anos, esse crescimento é resultado da popularização das IAs Generativas (IAGs), como o Chat GPT.

Para o professor, as IAGs são fáceis de usar e dão respostas rápidas, o que explica o sucesso entre a população. Essa democratização trouxe benefícios, mas também novos desafios. No ambiente escolar, Albano vê com preocupação o uso inadequado de IA por jovens ainda em desenvolvimento intelectual.

Segundo ele, as ferramentas generativas não funcionam como enciclopédias ou repositórios de conhecimento confiável. São modelos estatísticos que predizem palavras, e não sistemas que “sabem” conteúdos. Isso pode gerar informações imprecisas e prejudicar a capacidade de avaliação e raciocínio dos estudantes.

Amigo ou inimigo?

Technology human touch background, modern remake of The Creation of Adam

O professor Waldemar Júnior, pesquisador de IA há 28 anos, ressalta que a tecnologia não deve ser vista como inimiga — mas também não pode ser considerada solução única. Para ele, o problema não está na ferramenta, mas na forma como ela é usada.

Waldemar destaca que, por mais avançadas que sejam, as IAs ainda não são adequadas como principal instrumento de aprendizagem, justamente porque eliminam etapas fundamentais do processo educativo, como análise crítica, síntese e resolução criativa de problemas.

Ambos os especialistas reforçam que a IA deve ser parceira, e não substituta de um profissional humano. Assim como a calculadora não acabou com o ensino da matemática, a IA não deve eliminar o processo de pensar — mas pode ajudar quando usada de maneira estratégica e consciente.

Reinventar a educação para a era digital

Diante desse cenário, cresce o consenso de que os métodos tradicionais de avaliação — especialmente provas de memorizar conteúdo — já não dialogam com a realidade dos estudantes.

Waldemar aponta que o caminho passa por repensar avaliações e práticas pedagógicas, priorizando criatividade, resolução de problemas complexos, produção autoral e projetos colaborativos. Ou seja, focar no que as máquinas não fazem bem.

Para Albano, o maior risco não está apenas entre os estudantes: adultos também podem se tornar dependentes de respostas prontas, levando a decisões mal informadas em áreas sensíveis, como saúde, finanças ou até mesmo escolhas profissionais.

Ouça a matéria completa

Vinicius Lara
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