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Chile vai às urnas em eleição mais polarizada desde o fim da ditadura

O Chile realiza neste domingo (16) o primeiro turno da eleição presidencial em um cenário fortemente polarizado e marcado por debates sobre insegurança e imigração. Quase 15 milhões de eleitores estão aptos a votar, e os primeiros resultados devem sair cerca de duas horas após o fechamento das urnas.

As pesquisas apontam dois favoritos: Jeannette Jara, candidata da coalizão de esquerda que inclui o Partido Comunista, e José Antonio Kast, nome da extrema direita. Jara, ex-ministra do Trabalho do governo Gabriel Boric, lidera a disputa e pode sair na frente no primeiro turno, mas não deve atingir a maioria necessária para evitar o segundo turno, marcado para 14 de dezembro.

Pela primeira vez desde 1990, uma candidata comunista venceu a primária da esquerda. Sua trajetória, porém, ainda enfrenta resistência em parte do eleitorado, que associa sua identidade política ao legado neoliberal da ditadura de Augusto Pinochet.

Kast, que disputa a Presidência pela terceira vez, tenta moderar o discurso para atrair eleitores da direita tradicional. Em campanhas anteriores, já demonstrou simpatia por Pinochet, mas evitou referências explícitas nesta eleição. O foco agora está na repressão à criminalidade e ao controle da imigração — temas que dominaram o debate público e colocaram em segundo plano as demandas sociais do movimento de protestos de 2019.

O pleito deste ano também marca o retorno do voto obrigatório, suspenso desde 2012. Cerca de 5 milhões de pessoas que normalmente não votam serão obrigadas a comparecer às urnas, o que adiciona um forte componente de imprevisibilidade. Pesquisas indicam que cerca de 20% do eleitorado ainda está indeciso, inclusive entre estrangeiros que, com cinco anos de residência legal, têm direito ao voto.

Além da disputa presidencial, os chilenos elegem neste domingo os 155 deputados e 23 dos 50 senadores. Dependendo da correlação de forças, a direita pode conquistar o controle simultâneo da Presidência e do Congresso pela primeira vez desde 1990 — cenário que abriria espaço até para reformas constitucionais, caso alcance quatro sétimos das cadeiras em cada casa.

A campanha acentuadamente polarizada mobilizou eleitores de esquerda preocupados com uma eventual vitória da extrema direita no segundo turno. Já os apoiadores de Kast afirmam que priorizam uma resposta dura à insegurança, tema que ampliou seu alcance entre segmentos descontentes com o governo atual.

O Chile entra na votação com forte tensão política, alto grau de incerteza e uma disputa definida por visões opostas sobre segurança pública, imigração e o legado histórico do país — fatores que devem continuar influenciando o segundo turno e a formação do próximo governo.

Vinicius Lara
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