O número de mortos na megaoperação policial no Rio de Janeiro subiu para 128, após moradores do Complexo do Alemão levarem ao menos 65 corpos para a Praça São Lucas, na manhã desta quarta-feira (29). Os novos óbitos ainda não constam no balanço oficial do governo do estado, que registra 64 mortes, e devem passar por perícia para confirmar a relação com a ação deflagrada na terça-feira (28).
Segundo relatos, os corpos foram retirados da mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia — área que concentrou os confrontos mais intensos entre policiais e traficantes — e transportados pelos próprios moradores durante a madrugada, com ajuda de caminhonetes.
Imagens mostram uma longa fileira de cadáveres sobre o asfalto, cobertos por lençóis e cobertores. Moradores se aproximavam para reconhecer familiares e vizinhos, muitos deles com ferimentos de bala e rostos desfigurados.
“Como pode destruir tantas famílias, tantas vidas? E ficar por isso mesmo?”, desabafou uma mãe ao O Globo, enquanto acariciava o rosto do filho morto.
O clima na comunidade é de comoção e indignação. Em meio à dor, moradores se reuniram para rezar um Pai Nosso em homenagem às vítimas.
ONU e governo federal reagem
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou estar “horrorizada” com a operação no Rio. Em publicação na rede social X, o Escritório de Direitos Humanos da entidade pediu investigações rápidas e eficazes sobre o caso.
“Estamos horrorizados com a operação policial em andamento nas favelas do Rio de Janeiro, que supostamente já resultou na morte de mais de 60 pessoas, incluindo quatro policiais. Esta operação mortal reforça a tendência de consequências letais extremas das ações policiais nas comunidades marginalizadas do Brasil”, diz o comunicado.
A ONU também lembrou o Brasil de suas obrigações sob o direito internacional dos direitos humanos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta quarta-feira (29) com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para tratar da operação. Na véspera, o ministro informou que não houve pedido de apoio do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), para a realização da ação.
Operação mais letal da história do estado
Segundo o Palácio Guanabara, trata-se da operação mais letal da história do Rio de Janeiro, com 64 mortes oficialmente confirmadas até o momento.
Entre os mortos estão quatro policiais civis, três militares, dois homens apontados como traficantes vindos da Bahia e quatro moradores.
Três inocentes também foram atingidos:
um morador de rua, baleado nas costas;
uma mulher ferida em uma academia, já liberada do hospital;
e um homem em um ferro-velho, também baleado.
A Secretaria de Segurança Pública afirmou que a operação foi planejada com antecedência, enquanto a Secretaria Municipal de Saúde informou o fechamento de cinco unidades de Atenção Primária na região.
A ação teve como objetivo cumprir mandados de prisão contra integrantes de uma facção criminosa, sendo 30 alvos fora do estado.
Até agora, 81 pessoas foram presas e houve a apreensão de 75 fuzis, duas pistolas e nove motocicletas.
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