Editorial

Editorial: Agosto Lilás 08/08/2025

A violência doméstica é uma realidade brutal que, infelizmente, ainda atinge milhões de mulheres em todo o mundo e o Brasil não está fora dessa estatística. Essa violência se manifesta de diferentes formas: física, emocional, psicológica, moral e patrimonial. Cada uma delas deixa marcas profundas, que vão muito além das visíveis. As consequências são devastadoras para a saúde emocional, mental e
física das vítimas, podendo resultar em quadros de depressão, ansiedade e até transtorno de estresse pós-traumático.

É diante desse cenário que o mês de agosto ganha um significado especial com a campanha Agosto Lilás, criada para conscientizar, alertar e mobilizar a sociedade na luta contra a violência doméstica e de gênero. A cor lilás simboliza a resistência, a luta e a coragem das mulheres que enfrentam ou enfrentaram esse ciclo de abusos. Mas a campanha vai além do símbolo: ela promove informação, incentiva denúncias e fortalece as redes de apoio.

No Brasil, segundo dados atualizados, uma mulher é vítima de violência doméstica a cada dois minutos. Os números assustam e escancaram uma ferida social que precisa ser tratada com urgência. Em 2023, foram registrados 1.438 feminicídios no país. Em 2024, esse número subiu para 1.450. Já entre janeiro e julho deste ano, o Ligue 180 contabilizou quase 600 mil atendimentos e mais de 86 mil denúncias de
violência contra a mulher.

É por isso que campanhas como o Agosto Lilás são fundamentais. Elas nos lembram que essa luta não é só das mulheres, é de toda a sociedade. Um dos principais objetivos da campanha é informar: mostrar que existem vários tipos de violência, muitas vezes sutis e silenciosas, mas igualmente destrutivas.
Também é papel da campanha divulgar os canais de denúncia e os serviços de atendimento disponíveis, como as 142 Delegacias de Defesa da Mulher espalhadas pelo Estado de São Paulo, além dos registros que podem ser feitos online e, mais recentemente, pelo aplicativo SP Mulher Segura, disponível para Android e iOS. A plataforma concentra diferentes serviços voltados à proteção da mulher, incluindo
o acionamento direto da Polícia Militar.

Outro destaque é a Cabine Lilás, serviço da Polícia Militar criado para atender mulheres vítimas de violência doméstica dentro dos próprios batalhões, com acolhimento feito por policiais femininas e o encaminhamento da vítima para a rede de apoio. Além disso, a Operação Shamar, em curso até o início de setembro, reforça a repressão ao feminicídio e à violência doméstica.

Em Sorocaba e toda a região, a Polícia Militar realiza, de forma contínua, ações educativas e atua por meio da Patrulha Maria da Penha, reforçando o papel preventivo da corporação e fortalecendo a rede de enfrentamento à violência, como explicou a Major Luiza Geraldi, comandante interina do 40º Batalhão de
Votorantim, em entrevista recente ao Jornal da Cruzeiro.

A Guarda Civil Municipal (GCM) da cidade colocou em operação este ano quatro carros zero quilômetro para atender às ocorrências do Programa “Protege Mulher”, iniciativa voltada à proteção de vítimas de violência doméstica e que são amparadas por medida protetiva judicial.

O sistema de proteção às vítimas de violência doméstica na cidade funciona da seguinte forma: após a vítima formalizar a denúncia contra o agressor e obter, na Justiça, uma medida protetiva, ela pode se cadastrar e ter acesso a um aplicativo exclusivo. Se o agressor descumprir a decisão judicial, a vítima pode apertar um botão disponível na tela do celular. Um aviso é imediatamente enviado ao Centro de Operações da GCM, que identifica, via GPS, o local exato de onde partiu o pedido de ajuda. Além das informações da vítima, o aplicativo também fornece aos agentes dados sobre o possível agressor, otimizando o tempo de resposta e a eficácia da atuação.

A Lei Maria da Penha, que completou 19 anos em 2025, continua sendo um marco legal indispensável para a proteção das mulheres. Ela reconhece cinco formas distintas de violência: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. Conhecer essa lei é um passo essencial para garantir que cada mulher saiba identificar abusos e buscar apoio.

A violência contra a mulher não afeta apenas a vítima. Afeta os filhos, os familiares, os amigos e toda a estrutura social. Gera medo, insegurança e perpetua ciclos de trauma e desigualdade. Por isso, romper esse ciclo é vital. É preciso denunciar, acolher, apoiar e, acima de tudo, educar. As escolas, os lares, os meios de comunicação e as instituições públicas e privadas têm o dever de atuar ativamente nessa causa.
O combate à violência doméstica transforma vidas. Uma mulher que consegue romper esse ciclo e encontra acolhimento, apoio e justiça tem a chance de reconstruir sua história. E quando ela consegue, toda a sociedade ganha: com famílias mais saudáveis, lares mais seguros e futuras gerações mais conscientes.

O Brasil ainda ocupa a quinta posição entre os países com as maiores taxas de feminicídio no mundo, com 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Isso é inaceitável. E só vai mudar com mobilização, informação e empatia.

Proteger as mulheres é proteger o futuro. E um Brasil que protege suas mulheres é um Brasil mais justo, mais humano, mais forte. Que o Agosto Lilás não seja apenas um mês de conscientização, mas um marco de transformação.

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Cibelle Freitas
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