Sorocaba registrou uma queda expressiva nos casos de dengue em julho: foram 119 notificações no mês, sem nenhuma morte confirmada. O número representa uma redução de 83% em relação a junho, quando a cidade contabilizou 721 infecções e sete óbitos. Os dados são da Secretaria da Saúde (SES) e foram compilados pelo jornal Cruzeiro do Sul a partir dos boletins epidemiológicos semanais.
De acordo com especialistas, a queda era esperada. O ciclo reprodutivo do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, costuma enfraquecer entre maio e outubro, período mais seco do ano. Ainda assim, os cuidados não devem ser abandonados, alertam os profissionais de saúde.
A médica infectologista pediátrica Priscila Helena dos Santos explica que o comportamento sazonal da dengue é típico dos primeiros meses do ano — especialmente no verão e outono —, quando as chuvas favorecem a proliferação do mosquito. Em 2025, Sorocaba enfrentou um pico de casos justamente nesse intervalo.
Foram 339 infecções em janeiro, número que saltou para 816 em fevereiro. Em março, o aumento foi de quase 300%, com 3.228 casos confirmados, número que se manteve estável em abril. O ápice ocorreu em maio, com 4.391 infecções. Depois disso, os registros começaram a cair.
Apesar da tendência de queda, a infectologista destaca que o risco permanece. “Ainda observamos casos durante o chamado período intersazonal. Isso está relacionado às mudanças climáticas e à manutenção de criadouros em ambientes domésticos”, explica. Ela reforça a importância de eliminar recipientes com água parada para evitar novos surtos.
Até o final de julho, Sorocaba somava 14.095 casos de dengue em 2025. Desse total, 14.042 foram autóctones (transmitidos dentro da cidade), 44 importados e nove com origem indefinida. Foram confirmadas 29 mortes: 12 em hospitais públicos, 10 em unidades privadas e sete em domicílio. Outros quatro óbitos seguem sob análise do Instituto Adolfo Lutz.
A maioria das vítimas — 19 pessoas — tinha comorbidades, o que pode agravar a evolução da doença. A média de idade dos pacientes que faleceram foi de 68 anos. Das mortes confirmadas, 15 foram de mulheres e 14 de homens.
O número de óbitos acompanhou o aumento de casos no primeiro semestre: janeiro teve apenas uma morte; fevereiro, nenhuma. Em março foram quatro, em abril seis, e em maio, oito. Junho teve sete óbitos e julho, nenhum.
Em 2024, Sorocaba enfrentou uma das maiores epidemias de dengue da história, com 46.786 casos. O aumento começou já em janeiro e levou a Prefeitura a decretar situação de emergência em março. Naquele ano, as chuvas começaram mais cedo, e os casos dispararam ainda em dezembro de 2023.
Segundo Priscila dos Santos, outro fator que influencia o comportamento da epidemia é o tipo de sorotipo viral predominante. “Em 2025, tivemos circulação mais intensa do sorotipo DENV-2, enquanto em 2024 o DENV-1 era o mais comum. A introdução de um novo sorotipo aumenta o risco de reinfecção e de casos graves”, explica. Em 2024, também foi identificado o sorotipo 3, considerado o de maior capacidade de infecção.
Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta de início súbito, dores no corpo, dor de cabeça e mal-estar. Em casos mais graves, podem surgir sinais de alarme, como dor abdominal persistente, vômitos, sangramentos e desmaios — sintomas que exigem atenção médica imediata.
“Com os surtos recorrentes, a reexposição ao vírus tem provocado quadros mais graves da doença”, ressalta a infectologista. A orientação é procurar atendimento médico diante de dois ou mais sintomas suspeitos.
Para reforçar o atendimento durante o pico da epidemia, a Secretaria da Saúde implantou, em março, o Centro de Hidratação e Monitoramento de Dengue (CHMD) na Santa Casa, voltado a pacientes com comorbidades encaminhados por unidades de saúde. O centro foi desativado em maio, após realizar cerca de 3.400 atendimentos.
Com informações de Thaís Marcolino/ Jornal Cruzeiro do Sul
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