Povo Brasileiro
O Brasil atravessa tempos sombrios. Tempos em que a Constituição é relativizada, o equilíbrio entre os Poderes é desfigurado e a soberania popular, expressa pelo Parlamento, é solenemente ignorada por decisões que se autoproclamam supremas, mas carecem de legitimidade democrática.
A recente decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que restabeleceu parte dos decretos presidenciais que aumentam o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), representa um ataque frontal à ordem constitucional e um insulto à independência entre os Poderes da República.
Rejeitado pelo Congresso Nacional, após ampla deliberação entre deputados e senadores, o decreto presidencial foi enterrado sob o argumento legítimo de que transformava um imposto de natureza regulatória em instrumento arrecadatório, ferindo princípios tributários consagrados.
O Parlamento, em pleno uso de suas prerrogativas constitucionais, disse não. Mas a palavra final não foi a da maioria. Foi a de um homem só.
E o que representa essa decisão? Representa a substituição da vontade coletiva pela imposição individual.
Representa um poder que deveria ser guardião da Constituição, mas que agora se ergue como seu intérprete exclusivo, juiz e legislador.
Representa, sobretudo, a subversão da democracia, pois sem respeito às decisões do Congresso, não há República possível.
Alexandre de Moraes, ao tomar essa decisão isolada, sem submeter-se ao crivo de seus pares, sem respeitar o princípio do colegiado, ultrapassou perigosamente os limites da magistratura.
Transformou-se, não apenas em julgador, mas em protagonista político – e com isso, fragilizou ainda mais a confiança pública no Judiciário brasileiro.
A quem interessa esse aumento disfarçado de imposto, agora validado?
A resposta é clara: ao Poder Executivo, que busca ampliar sua arrecadação à revelia do Parlamento.
Em última instância, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao ver sua proposta rejeitada pelo Congresso, recorreu ao Judiciário como instância de conveniência política – e foi atendido.
Senadoras e senadores indignaram-se, com razão. O senador Oriovisto Guimarães denunciou, em tom veemente, que um único ministro colocou-se acima de 513 deputados, 81 senadores e até da presidência da República.
Eduardo Girão questionou a utilidade do próprio Parlamento diante de decisões que o tornam irrelevante. Carlos Portinho exigiu reação institucional. Esperidião Amin apontou, com lucidez, a inversão dos papéis constitucionais.
Mas palavras, por mais justas que sejam, não bastam. É preciso ação. É preciso coragem.
O Senado e a Câmara dos Deputados devem romper o silêncio cúmplice e defender sua dignidade institucional.
E onde está a tão prometida PEC que limita as decisões monocráticas no Supremo?
Engavetada, estagnada, ocultada sob o peso da omissão da Câmara dos Deputados.
Enquanto isso, a nação assiste, perplexa, ao avanço de um poder que não presta contas a ninguém, que decide sozinho, que ignora a colegialidade e silencia a pluralidade de vozes.
Este editorial não é um ataque ao Supremo Tribunal Federal, nem tampouco à figura de um ministro.
É um grito em defesa da Constituição, da democracia representativa e do direito do povo brasileiro de ser governado por leis e decisões emanadas de seus representantes eleitos – e não por atos unilaterais de togados inquestionáveis.
Não podemos tolerar a escalada de decisões solitárias que minam a República, que desautorizam o Parlamento e que comprometem o Estado de Direito.
Não há democracia onde um Poder subjuga os outros. Não há equilíbrio quando um único homem decide por todos.
É hora de o Congresso reagir com firmeza e responsabilidade. É hora de restaurar os limites entre os Poderes. É hora de lembrar que a Constituição de 1988 não é um ornamento jurídico, mas a base inegociável da convivência republicana.
A história cobrará daqueles que se calaram quando o Estado de Direito foi afrontado. O povo brasileiro também.
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