Editorial

Editorial: Mais impostos para quem já paga demais 04/07/2025

O brasileiro já está acostumado com a alta carga tributária. Paga imposto quando compra pão, quando abastece o carro, quando recebe salário, quando pega empréstimo. E, agora, o governo federal quer cobrar ainda mais.

Na última semana, a Advocacia-Geral da União entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para reverter a decisão do Congresso Nacional que havia derrubado o aumento do IOF – o Imposto sobre Operações Financeiras.

O caso foi parar nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que já é relator de outras ações sobre o tema.

O argumento do governo é jurídico: segundo a AGU, o aumento do imposto é uma prerrogativa do Executivo e não poderia ter sido barrado pelo Congresso. Mas o que está em jogo vai além da interpretação da lei.

A questão central é moral, social e econômica: o cidadão brasileiro aguenta mais essa? A conta sempre sobra para o povo!

O IOF é um imposto que incide sobre operações de crédito, câmbio, seguro e investimentos.

Na prática, atinge justamente quem tenta parcelar uma compra, fazer um financiamento, proteger seu patrimônio ou iniciar um pequeno negócio.

Ou seja, mais uma vez, quem paga a conta é o trabalhador, a dona de casa, o pequeno empreendedor.

E o que o cidadão recebe em troca? Serviços públicos ineficientes, filas em hospitais, escolas precárias, insegurança nas ruas.

A arrecadação no Brasil é trilionária, mas a sensação é de que o dinheiro some no caminho.

A população trabalha para sustentar uma máquina pública pesada, cara e, muitas vezes, ineficaz.

Ao insistir no aumento do IOF, o governo Lula envia uma mensagem clara: arrecadar é mais importante do que aliviar o bolso do cidadão.

E quando o Congresso – que representa o povo – decidiu barrar esse aumento, o Executivo recorreu ao Supremo.

É um movimento preocupante. Em vez de ouvir a sociedade e repensar seus gastos, o governo escolheu o confronto. Preferiu a via judicial ao diálogo com os parlamentares eleitos.

Não se trata apenas de uma disputa entre Poderes. Trata-se da insistência de um modelo esgotado: o modelo do Estado que gasta muito e exige sempre mais do contribuinte.

Muito se fala em reforma tributária, mas a população quer uma reforma que simplifique, que distribua melhor os encargos e que reduza o peso sobre quem já paga demais.

O que se vê, por enquanto, são manobras para manter — ou aumentar — a arrecadação, sem cortar desperdícios, sem rever privilégios, sem enxugar a máquina.

Enquanto isso, o cidadão precisa escolher entre pagar a fatura do cartão ou a parcela do carro, entre comprar carne ou remédio, entre investir no negócio ou pagar mais um imposto.

O brasileiro não quer milagres. Quer coerência. Antes de criar ou aumentar tributos, é preciso cortar o que não funciona, combater fraudes, reduzir o tamanho do Estado e aplicar melhor os recursos já existentes.

Ao derrubar o aumento do IOF, o Congresso deu voz ao clamor das ruas. E o governo deveria ter ouvido. Mas preferiu tentar impor sua vontade no tapetão jurídico.

É legítimo que o Executivo defenda suas prerrogativas. Mas é inaceitável que o cidadão seja visto apenas como fonte de receita. É hora de inverter essa lógica. O Estado existe para servir o povo — e não o contrário.

O povo está cansado. Cansado de trabalhar tanto e receber tão pouco. Cansado de ver o dinheiro ser engolido por um sistema que exige demais e entrega de menos.

O aumento do IOF, neste momento, não é apenas impopular — é injusto. Penaliza justamente quem mais precisa de apoio para crescer, consumir e empreender.

O Brasil precisa de um novo pacto, baseado no respeito ao contribuinte, na eficiência do Estado e na justiça fiscal. Um pacto no qual a prioridade não seja aumentar impostos, mas melhorar a vida de quem já paga — e paga muito.

Cruzeiro FM, com você o tempo todo!!!

Cibelle Freitas
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