Editorial

Editorial: Mais imposto, menos responsabilidade 13/06/2025

O anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na noite do último domingo, revela muito mais do que uma tentativa de “recalibrar” um decreto impopular sobre o IOF.

Ele expõe, com todas as letras, a velha prática de jogar sobre o contribuinte o peso da irresponsabilidade fiscal de um governo que gasta demais e entrega de menos.

A ideia é simples, mas perversa: o governo eleva o Imposto sobre Operações Financeiras – o IOF – para arrecadar mais.

A repercussão, naturalmente, tem sido negativa e vem gerando muitos debates ao longo desta semana, tanto no mercado quanto no Congresso.

Diante da pressão, o Planalto ensaia um recuo, mas não sem antes lançar mão de uma medida provisória com novos aumentos, como a taxação de 5% sobre LCIs e LCAs, títulos até então isentos de Imposto de Renda.

Também anunciou aumento da tributação sobre apostas esportivas e mudanças na CSLL que afetam fintechs e bancos.

A justificativa oficial? Corrigir distorções.

Mas a pergunta que não quer calar é: por que essas distorções só são vistas quando o caixa aperta? E mais grave ainda: por que, quando há um rombo, a solução quase sempre vem do bolso do cidadão comum?

O brasileiro médio já convive com uma carga tributária sufocante.

Paga imposto ao abastecer o carro, ao fazer compras, na conta de luz, no salário e até ao tentar guardar dinheiro.

E agora, será punido também quando investir em imóveis ou no agronegócio por meio de LCIs e LCAs.

Um contrassenso para quem quer incentivar o investimento produtivo no país.

O que se vê é um governo que não enfrenta com seriedade a estrutura inchada da máquina pública.

Não há cortes significativos nas despesas.

Não há reformas estruturais sendo tocadas com coragem.

O discurso de responsabilidade fiscal perde força diante da prática de compensar cada erro com mais imposto.

Enquanto isso, o Congresso – que se coloca como contraponto ao Executivo – tenta se mostrar atuante.

Os presidentes da Câmara e do Senado participaram da reunião com Haddad e classificaram o encontro como “histórico”.

De fato, é histórico.

Mas não pelo mérito da discussão, e sim pela repetição da receita: quando o cobertor fiscal é curto, corta-se do lado mais fraco.

É hora de um debate honesto com a sociedade.

Até quando o brasileiro vai pagar a conta da má gestão? Até quando o aumento de impostos será a primeira e única solução pensada por Brasília?

Responsabilidade fiscal não é apenas bater meta de arrecadação.

É gastar com eficiência, cortar privilégios, revisar isenções injustas, enfrentar lobbies e, sobretudo, respeitar o contribuinte.

Prefeitos e governadores já se mobilizam e provocam a população para que pressione os congressistas a rejeitarem essa afronta ao povo brasileiro.

O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, do Republicanos, é um exemplo: ele postou, nesta semana, um vídeo nas redes sociais no qual afirma que o governo federal vai impor mais peso de imposto sobre o cidadão para continuar com a gastança sem fim.

Manga ressalta, ainda, que o aumento do IOF não vai afetar só um grupo de pessoas que votou em outro candidato a presidente, muito pelo contrário, vai afetar todo mundo, até mesmo aqueles que votaram no atual presidente da República.

Se o governo quer ser lembrado por medidas históricas, que sejam aquelas que aliviam, e não que apertam, ainda mais, o nó no pescoço do povo.

Cruzeiro FM, com você o tempo todo!!!

Cibelle Freitas
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