O atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), deverá deixar o cargo até dezembro deste ano para retomar seu mandato de deputado federal e iniciar a pré-campanha ao Senado Federal. A decisão foi alinhada com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), apesar de a desincompatibilização legal ser exigida apenas até abril de 2026.
A saída antecipada ocorre em meio a uma série de desgastes envolvendo a gestão da segurança pública estadual. Embora alguns indicadores tenham melhorado — como a redução de homicídios e roubos —, houve crescimento expressivo no número de mortes causadas por policiais militares em serviço, o que ampliou críticas à condução da pasta.
De acordo com fontes do governo, Tarcísio já avalia possíveis substitutos. O nome mais cotado é o do atual secretário de Administração Penitenciária, Marcello Streifinger, considerado um perfil técnico, com trajetória consolidada na Polícia Militar e sem pretensões eleitorais. Streifinger chegou a ser cogitado para a Secretaria de Segurança Pública no início do mandato, mas ficou de fora após pressão do núcleo bolsonarista.
Desde que assumiu a SSP em janeiro de 2023, Derrite coleciona altos e baixos. Sob sua gestão, o número de homicídios caiu de 2.909, em 2022, para 2.517, em 2024, e os roubos também tiveram queda significativa. Por outro lado, os casos de estupro aumentaram, passando de 13.240 para 14.579, e os registros de mortes provocadas por PMs em serviço saltaram de 256 para 649, de acordo com dados da própria secretaria.
Além disso, episódios de grande repercussão envolvendo a atuação de policiais — como a morte de crianças e civis em operações, além de casos de violência extrema, como o de um homem jogado de uma ponte — provocaram tensão política e cobranças públicas.
O episódio mais simbólico do distanciamento entre Derrite e Tarcísio ocorreu no fim de 2024, quando o secretário foi visto em uma festa em Maresias horas após ser orientado pelo governador a cancelar viagem aos Estados Unidos, diante do assassinato de um delator do PCC no Aeroporto de Guarulhos.
Em dezembro, durante um evento público ao lado de ministros do STF e do governo federal, Tarcísio reconheceu falhas na política de segurança, especialmente sobre sua resistência inicial ao uso de câmeras corporais pela PM — posicionamento contrário ao de Derrite, que se manifestou com frequência de forma crítica à gestão federal.
A saída da SSP será construída como parte do planejamento eleitoral de Guilherme Derrite, que buscará uma vaga no Senado em 2026. A intenção do governador é evitar qualquer aparência de ruptura e manter o discurso de apoio ao projeto político do atual secretário.
Derrite se filiou ao Progressistas (PP) no fim de maio, em um evento que contou com a presença de Tarcísio e líderes de outras legendas do centro-direita, como PL, PSD e União Brasil. O objetivo é consolidar uma frente ampla de oposição à esquerda nas eleições gerais.
Com a volta ao Congresso, Derrite terá mais liberdade para se posicionar sobre temas de segurança e atuar com mais protagonismo nas articulações da futura campanha. Ele também deverá liderar projetos que fortaleçam sua imagem entre o eleitorado conservador, inclusive com pautas alinhadas ao bolsonarismo.
Além de Derrite, pelo menos outros cinco secretários estaduais podem deixar seus cargos até o início do próximo ano com o mesmo objetivo eleitoral. Entre eles estão nomes como Arthur Lima (Casa Civil), Guilherme Piai (Agricultura) e Valéria Bolsonaro (Mulher).
A expectativa é de que as mudanças no secretariado ocorram de forma escalonada, sem atritos públicos, preservando a estabilidade do governo e o alinhamento entre os principais nomes da coalizão.
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