Editorial

Editorial: O valor da maternidade em tempos de mudança 09/05/2025

Neste domingo, 11 de maio, o Brasil celebra o Dia das Mães — uma das datas mais carregadas de emoção no nosso calendário.

Mais do que flores, perfumes ou almoços em família, o Dia das Mães é uma chance de refletir.

Refletir sobre o papel da mãe na sociedade, sobre o amor que nos trouxe ao mundo… e, principalmente, sobre as mudanças profundas que vêm acontecendo no jeito de ser mãe — e de ser filho — nos dias de hoje.

Vivemos um tempo de dificuldades econômicas.

A inflação aperta, o custo de vida sobe, e o salário — esse — muitas vezes mal cobre o básico.

Num cenário assim, o brasileiro se pergunta: Como presentear minha mãe, se falta dinheiro até para o essencial?

É aí que entra o afeto como resposta.

Com criatividade, muitos filhos estão trocando os presentes caros por gestos simbólicos.

Cartas escritas à mão. Um café da manhã simples preparado com carinho. Ou até um abraço apertado, seguido de um sincero: “Obrigado por tudo!”

E, talvez, aí esteja o verdadeiro espírito da data: valorizar com o coração — e não com o bolso.

Mas o Dia das Mães de hoje também reflete outras mudanças, mais silenciosas, porém profundas.

Se antes era comum ver mães com cinco, seis ou até mais filhos, agora a realidade é outra.

A taxa de natalidade no Brasil — e no mundo — está em queda.

Hoje, a média é de pouco mais de um filho por casal.

A maternidade, que antes era quase um destino natural, agora virou uma escolha.

Uma escolha pensada, muitas vezes adiada, e, em não raros casos, substituída por outros caminhos de vida.

E esse fenômeno traz à tona uma nova preocupação: Quem vai cuidar de mim quando eu envelhecer?

Com menos filhos por família, as redes de apoio intergeracional se enfraquecem.

Aquela certeza de que os filhos estarão por perto na velhice começa a ser substituída por dúvidas.

E o ciclo do cuidado — tão presente nas relações entre mães e filhos — fica ameaçado pela própria queda da natalidade.

Nesse mesmo cenário, outro fenômeno tem chamado atenção: os bebês reborn.

Bonecas hiper-realistas que, para muitas mulheres, representam mais do que brinquedos.

São objetos de afeto, de consolo, de memória.

Algumas os tratam como filhos simbólicos. Outras como terapias emocionais.

É um fenômeno que, goste-se ou não, revela algo essencial:

o desejo maternal permanece vivo — mesmo quando a maternidade biológica não acontece.

Neste Dia das Mães, portanto, celebramos muito mais que um vínculo familiar.

Celebramos o poder do cuidado. A força do amor que acolhe, que ensina, que nutre.

Celebramos mães biológicas, adotivas, avós que viraram mães… pais que também exercem esse papel… e até aquelas pessoas que, mesmo sem filhos, carregam dentro de si o dom maternal.

Num país em crise, onde o presente se torna difícil… que o afeto não seja afetado.

E que o amor — esse sim, sem preço — continue sendo o maior presente.

Feliz Dia das Mães.

Cruzeiro FM, com você o tempo todo!!!

Cibelle Freitas
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