Editorial

Editorial: Fraternidade e Criação 07/03/2025

A Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem um papel fundamental no contexto da Quaresma, sendo um convite à reflexão, à conversão e à prática de ações concretas que busquem a transformação da sociedade.

Este ano, a campanha traz como tema central “Fraternidade e Criação”, com o lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31), uma convocação à conscientização ecológica e ao cuidado com o meio ambiente.

A escolha desse tema para 2025 se alinha perfeitamente com o momento de reflexão proporcionado pela Quaresma, período que tradicionalmente se dedica à penitência, oração, jejum e caridade.

A reflexão proposta pela Campanha da Fraternidade neste ano não se limita ao simples discurso ambientalista, mas amplia sua proposta para um conceito mais profundo: a “ecologia integral”, que sugere uma transformação interior dos indivíduos e uma renovação na relação entre o ser humano e o mundo ao seu redor.

Como ressaltou o arcebispo de Sorocaba, dom Julio Endi Akamine, a Campanha da Fraternidade busca promover uma “mudança de vida”, que leve as pessoas a adotar uma postura mais consciente e responsável no trato com a criação divina.

Ele reforçou que o tempo de Quaresma é uma oportunidade para o arrependimento dos pecados e a busca por uma vida mais próxima de Deus, e isso inclui, especialmente, a forma como lidamos com o planeta.

O padre Tadeu Rocha Moraes, pároco da Catedral Metropolitana de Sorocaba, enfatizou ainda a importância de três práticas fundamentais durante a Quaresma: oração, jejum e caridade.

Ele destacou que, por meio da caridade, o ser humano pode aproximar-se dos ensinamentos de Jesus, transformando o amor fraterno em ações concretas.

Nesse contexto, a preocupação com o meio ambiente e a preservação da natureza ganham um caráter de caridade, pois, como bem observou o padre, o cuidado com o mundo é uma forma de respeitar a obra de Deus e proteger o que Ele criou para as gerações futuras.

As enchentes ocorridas no final do ano de 2024, mencionadas por ele, são um exemplo claro da necessidade urgente de refletir sobre as consequências do descaso ambiental.

A importância da Campanha da Fraternidade vai além da sensibilização para as questões ecológicas.

Ela é um convite a uma transformação pessoal e social, ao ressaltar a interdependência entre os seres humanos e a criação.

O arcebispo de Sorocaba, ao celebrar a missa da Quarta-Feira de Cinzas, associou diretamente a Campanha da Fraternidade à purificação e renovação interior, que é o objetivo da Quaresma.

A campanha convida os católicos a buscar a reconciliação com Deus, não apenas por meio da oração e do arrependimento, mas também através de práticas que resultem em um mundo mais justo, solidário e sustentável.

Portanto, a Campanha da Fraternidade deste ano, ao enfatizar a ecologia integral e o cuidado com a criação, está alinhada com um movimento global crescente de conscientização ambiental e responsabilidade social.

Ela se insere em um contexto de urgência, dada a crise climática e os desafios ambientais enfrentados mundialmente, e propõe aos católicos uma reflexão profunda sobre o papel de cada um na preservação do planeta.

O tema da Campanha da Fraternidade adquiriu uma importância ainda maior com a mensagem do representante do Papa Francisco no Brasil, Giambattista Diquattro.

Durante o evento, Diquattro fez um apelo pela saúde do Papa Francisco, que se encontra internado no hospital Gemelli em Roma devido a uma pneumonia bilateral, e pediu orações por sua recuperação.

Esse gesto de solidariedade reforçou a conexão espiritual e o apoio à figura do Papa, especialmente em um momento delicado para a Igreja Católica.

Além do pedido de orações, a mensagem do Papa, enviada à CNBB, trouxe reflexões profundas sobre a urgência da preservação ambiental e o papel da humanidade na crise ecológica.

O Papa Francisco, sempre um defensor do cuidado com a criação, sublinhou a importância de “deixar que a natureza descanse das nossas explorações gananciosas”, um convite a repensar as práticas humanas que causam danos irreversíveis ao meio ambiente.

Sua palavras estão alinhadas com o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, “Fraternidade e Criação”, que exorta à reflexão sobre a relação entre o ser humano e o mundo natural.

Ao combinar práticas espirituais com ações concretas em prol da natureza, a campanha reforça a ideia de que a conversão ecológica é, de fato, uma forma de viver os ensinamentos cristãos de maneira integral e comprometida com o bem-estar coletivo.

Cruzeiro FM, com você o tempo todo!!!

Cibelle Freitas
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