Editorial

Editorial: Trânsito é vida (29/07/2022)

O pós-pandemia fez com que as pessoas mudassem comportamentos e hábitos e, no trânsito, a situação não é diferente.

As pessoas parecem estar com mais pressa e dá a impressão de que têm o interesse de recuperar o suposto tempo perdido durante os dois anos de pandemia do novo coronavírus.

Isso é o que pensa e analisa a psicóloga e professora-doutora, especializada em educação para o trânsito, Sônia Chébel.

Em sua entrevista no Jornal das Cinco de terça-feira, ela falou sobre esse sentimento e de pesquisas recentes sobre o trânsito no dia a dia.

Outro item que tem gerado bastante controvérsia no meio urbano, na atualidade, é o fato de que muitas pessoas, não a maioria, mas boa parte delas tem praticado no trânsito do dia a dia suas próprias normas, esquecendo-se de que há o CTB, o Código de Trânsito Brasileiro, criado para garantir segurança, conforto e fluidez adequados aos usuários.

Vale lembrar aqui, e reforçar o que a professora Sônia Chébel afirmou, na entrevista, de que o trânsito é para todos, porém, a norma é uma só e é válida para todo mundo e está lá no CTB.


A pergunta que se formula a partir daqui, então, é: Qual é o impacto da pandemia de Covid-19 no trânsito?

Um estudo de um curso de pós-graduação em psicologia da Universidade Federal do Paraná traz informações importantes e dados que nos remetem a um pretenso entendimento do comportamento do ser humano no pós-pandemia.

As medidas de segurança adotadas pelos governos e grupos de especialistas em saúde, como o lockdown e o distanciamento social, criaram conexões mentais nas pessoas que podem ser justamente as responsáveis por essa transformação comportamental, principalmente no trânsito.

Muitos ainda agem como se estivessem sozinhos nas vias, mostrando que o cidadão interiorizou esse sentimento de  distanciamento e isolamento, colocando-os em prática no trânsito e no dia a dia de maneira inconsciente no pós-pandemia.

Tais razões podem ser os gatilhos psicológicos que vêm causando esse desligamento social dentro do contexto trânsito.

O estudo da Universidade Federal do Paraná projeta a seguinte análise: Como os meios de transporte podem se converter em fatores de risco ou de proteção?

E esse é justamente o desafio imposto, pois ele acontece no sentido de garantir a mobilidade cotidiana e necessária, porém com segurança no trânsito e protegendo, essencialmente, a vida humana.

Os estudos científicos querem mostrar que, cada vez mais, os poderes públicos precisam aproveitar a oportunidade surgida com a pandemia e investir mais em estruturas para o trânsito de veículos menos poluentes, ampliação da oferta do transporte coletivo com qualidade e segurança, investimentos em ciclovias, entre outros.

É necessário o debate sobre um trânsito cada vez mais seguro, porém, é necessário mais ainda campanhas efetivas e penetrantes por conta dessa sensação de mudança de comportamento das pessoas.

Sem dúvida alguma, é preciso manter o nível da educação e melhorar a formação de condutores, como expôs também o especialista em trânsito Osias Batista, que participou de entrevista no jornalismo da Cruzeiro FM.

Se as campanhas para um trânsito antes da pandemia eram importantes para melhorar as condições de segurança e fluidez nas vias, agora, no pós-pandemia, essa importância tornou-se primordial, pois, como sabemos, não é fácil mudar hábitos nem comportamentos adquiridos ao longo de um determinado período de tempo.

Contudo, não se pode desistir nem tampouco ignorar que essa mudança comportamental vem se tornando cada vez mais latente no dia a dia.

As pessoas entram no trânsito com pressa, com o sentimento de que precisam recuperar o tempo perdido durante a pandemia.

Então, esse trabalho de educação e punição exercido pelas autoridades de trânsito precisa ficar mais evidente.

A Cruzeiro FM, por sua vez, é atuante no aspecto da educação e, há mais de dez anos, promove as campanhas do motorista e motociclista legal.

Cada um de nós precisa parar, refletir e tomar consciência de seu papel no trânsito que, naturalmente, é zelar por sua vida e, principalmente, pelas vidas alheias.

Não estamos sozinhos no trânsito e estamos sujeitos a uma legislação que deve ser respeitada sempre e praticada no dia a dia.

Não podemos conduzir essa situação como se estivéssemos numa terra de ninguém.

Portanto, continue sendo um motorista, um motociclista, um ciclista e um pedestre legal para que possamos buscar e manter um trânsito mais legal.

Cruzeiro FM, número um em jornalismo!!!

Cibelle Freitas
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