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Editorial: Impasse econômico (29/01/2021)

Estamos vivendo momentos difíceis no mundo; um momento em que, na medida do possível, fazem-se necessárias a compreensão e a solidariedade de todos, a fim de superarmos essa crise sanitária da Covid-19.

No Brasil, vivemos há anos envoltos em uma rede tributária altíssima, de modo que cada setor tenta, à sua medida, sobreviver em meio a esse emaranhado número de impostos e taxas caríssimo.

É natural que os variados segmentos da economia busquem, por meio de reivindicações justas, obter benefícios que aliviem o custo de vida brasileiro.

Contudo, cabe aqui uma reflexão.

Frente a uma megacampanha de vacinação contra o coronavírus, com a necessidade de uma logística e eficaz distribuição de medicamentos pelo Brasil e mundo, é cabível se pensar em uma greve gigante de caminhoneiros, como a vista em 2018?

Em maio daquele ano, caminhoneiros autônomos fizeram uma paralisação de cerca de dez dias, que ficou conhecida como a Crise do Diesel, responsável, segundo o governo, por um PIB 1,2 ponto percentual menor do que deveria ter sido.

Sabemos que o custo para o transporte rodoviário de produtos é muito alto e acaba pressionando o bolso do trabalhador desse segmento.

A reivindicação por melhores condições de trabalho é justa, todavia, não é razoável ameaçar o governo e a sociedade brasileira com o fantasma de 2018.

Cobrar do governo federal valores menos onerosos aplicados sobre o combustível do caminhão é plausível, mas não é recomendável, nesse momento, a ameaça de uma megaparalisação marcada para começar na próxima segunda-feira, dia 1º de fevereiro.

O presidente Jair Bolsonaro apelou, nesta semana, para que os caminhoneiros não façam greve e afirmou que estuda uma forma de reduzir o custo do PIS e Cofins, para aliviar no preço do litro do óleo diesel.

A partir do momento em que o presidente se manifestou atento aos anseios dessa categoria, é digno que esses trabalhadores coloquem a mão na consciência e declinem desse ato que só trará mais dor e sofrimento à população brasileira.

Ontem, em entrevista ao jornalista André Fazano, o economista Renato Vaz Garcia afirmou que o governo, certamente, vai conseguir melhorar o custo dos caminhoneiros.

Ele, porém, diz que essa conta será paga por alguém.

Isto porque os cofres brasileiros necessitam de um salvaguarda para conseguir, entre outras despesas, realizar a compra de milhares e milhares de doses de vacinas para imunizar a população contra o escárnio do coronavírus, que já levou dezenas de milhares de vidas brasileiras.

Reconhecemos o valor do caminhoneiro para a economia, mas a solução, na atual conjuntura, não é fácil para ninguém, sem exceção.

Com o aumento significativo dos casos de Covid-19 no Brasil, e no mundo, não é nem um pouco salutar uma megaparalisação do transporte rodoviário de produtos.

Não se tira o direito do caminhoneiro, que sofreu, nesta semana, com o anúncio de um aumento, na terça-feira, de 4,4% no preço médio do diesel nas refinarias.

Isso e o apoio declarado ao movimento grevista, no mesmo dia, de uma das principais associações do setor, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística, filiada à CUT, instigaram a categoria a iniciar a greve na segunda-feira, caso não seja atendida.

De acordo com o economista Renato Vaz Garcia, a cada centavo retirado do preço do PIS/Cofins cobrado sobre o preço do diesel representa cerca de 800 milhões de reais que precisam ser encontrados em outro lugar, o que, de certa forma, torna difícil fechar esta conta.

Bolsonaro apelou para governadores que diminuam também os valores cobrados pelo ICMS do combustível.

Este é um imposto estadual que, pelo que se viu nos últimos noticiários, pelo menos no Estado de São Paulo, vai totalmente contra ao que pede o presidente.

O governo de São Paulo, como se sabe, aumentou a cobrança do ICMS sobre diversos setores da economia, criando uma bolha econômica que pressiona, de outro lado, o governo federal nas tomadas de decisão.

Então, o atual momento pandêmico é de solidariedade e razoabilidade por parte da população e, em especial, dos governantes que precisam se entender e parar de brigas políticas para que a economia brasileira volte a crescer.

Definitivamente, nossos governantes e legisladores precisam colocar o dedo na ferida e lançar mão, imediatamente, da reforma tributária.

Mas, até lá, precisamos encontrar o meio termo para que a atual condição econômica do Brasil seja menos danosa aos brasileiros.

Cruzeiro FM, número um em jornalismo!!!

Cibelle Freitas
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