Jornalismo

Primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, vence o Nobel da Paz

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, artífice da grande reconciliação entre seu país e a Eritreia, foi anunciado nesta sexta-feira (11)  como o vencedor do Prêmio Nobel da Paz.
Abiy, 43 anos, recebe o prêmio “por seus esforços para alcançar a paz e pela cooperação internacional, particularmente por sua iniciativa decisiva destinada a solucionar o conflito na fronteira com a Eritreia”, declarou a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen.
O prêmio significará um impulso para o governante, que enfrenta uma onda crescente de violência entre diferentes grupos em seu país, onde estão previstas eleições legislativas em maio de 2020.
O prêmio também deseja “expressar um reconhecimento a todos os atores que trabalham pela paz e a reconciliação na Etiópia e nas regiões do leste e nordeste africanos”, completou.
O Comitê Nobel destacou especialmente o trabalho do presidente da Eritreia, Issaias Afworki.
“A paz não é alcançada apenas com as ações de uma única pessoa. Quando o primeiro-ministro Abiy estendeu a mão, o presidente Afwerki aceitou e ajudou a dar forma ao processo de paz entre os dois países”, afirmou o Comitê.
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Assim que recebeu a notícia, o gabinete de Abiy reagiu com uma mensagem na qual afirma que o país está “orgulhoso” e considera o prêmio um “reconhecimento” do trabalho do primeiro-ministro em favor da “cooperação, unidade e coexistência”.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, destacou que a aproximação entre Eritreia e Etiópia é um “impulso para a estabilidade da região”.
Um visionário
Desde que assumiu o governo do país com a segunda maior população da África, em abril de 2018, Abiy Ahmed iniciou uma aproximação com o países vizinho, que no passado foi uma província etíope. Apenas seis meses depois de sua posse o premier assinou a paz com a Eritreia e encerrou quase 20 anos de confrontos.
A Etiópia libertou milhares de dissidentes, pediu desculpas pela brutalidade do Estado e recebeu de braços abertos os integrantes de grupos exilados que seus antecessores haviam chamado de “terroristas”.
Abiy, nascido em uma família muito pobre, foi considerado um visionário e um reformista com a capacidade de injetar otimismo nesta região do mundo castigada pela pobreza e a corrupção.
O entusiasmo, no entanto, deu lugar à frustração. A fronteira entre os dois países está fechada novamente, a assinatura de acordos comerciais está em suspenso e a Etiópia ainda não tem acesso aos portos das Eritreia. Analistas afirmam que o caminho para a paz duradoura será longo.
“O Comitê Nobel espera que o prêmio da Paz reforce o primeiro-ministro Abiy em seu trabalho a favor da paz e da reconciliação”, afirmou Reiss-Andersen.
“Este prêmio é um reconhecimento e também um estímulo a seus esforços. Somos conscientes de que resta muito por fazer”, completou.
Eleições?
Neste momento, muitos duvidam da capacidade de Abiy de organizar eleições livres, justas e democráticas em maio de 2020, em consequência da violência interna que abala o país.
A insegurança no país provocou em 2018 o deslocamento de dois milhões de pessoas.
O primeiro-ministro também é objeto de críticas e ameaças dos ex-governantes do país e sofreu uma tentativa de assassinato desde que chegou ao poder.
A Etiópia tem 110 milhões de habitantes e ocupou um dos últimos lugares da lista de países democráticos de 2018 da revista The Economist.
Mais de 300 personalidades e organizações eram candidatas este ano a receber o Nobel da Paz.
Em 2018, o Comitê atribuiu o prêmio ao ginecologista Denis Mukwege (República Democrática do Congo) e a yazidi Nadia Murad, por sua luta contra a violência sexual.
O prêmio inclui a quantia de nove milhões de coroas (830.000 euros, 920.000 dólares), uma medalha e um diploma.
A cerimônia de entrega acontecerá no dia 10 de dezembro, aniversário da morte do idealizador do prêmio, o industrial e filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896).
Com informações do Jornal Cruzeiro do Sul
Edição – Alessandra Santos

Cruzeiro FM
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